Rodolfo Domenico Pizzinga

 

 

 

 

 

 

 

 

Continuação

 

 

 

Para ler as Partes anteriores deste trabalho-estudo, por favor dirija-se a:

1ª Parte:
http://paxprofundis.org/
livros/alcsag/alcsag.htm

2ª Parte:
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livros/alcsag1/alcsag1.htm

3ª Parte:
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livros/alcsag2/alcsag2.htm

4ª Parte:
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livros/alcsag3/alcsag3.htm

 

 

Esta Quinta e última Parte está constituída de excertos recolhidos (e eventualmente comentados) da 76ª Surata (Al Insan) à 114ª Surata (An Náss). No encerramento desta laboriosa pesquisa, apresento as Considerações Finais deste gratificador e educativo estudo. Obrigado ao Profeta Muhammad.

 

 

 

 

 

 

 

 

Pérolas Alcorânicas Eternas

 

 

Quem quiser, poderá encaminhar-se até à Senda do seu Senhor. (Surata Al Insan, versículo 29). [O Quem quiser, nesta Surata, faz lembrar a questão do livre-arbítrio, cuja definição dicionarística é: possibilidade de decidir, de escolher em função da própria vontade, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante. Fiz esta observação por um único motivo: sim, temos a possibilidade de decidir e de escolher em função da própria vontade o que bem quisermos, mas – não podendo ser diferente – somos responsáveis por tudo. Todavia, como, de uma maneira geral, as pessoas não têm acesso ao lado de lá, ou se comportam irresponsavelmente do lado de cá ou adiam tomadas de decisão que são sussurradas pelo Eu Interior. Isto é simplesmente uma mistura de lástima com catástrofe. Enfim, como adverte o próprio Sagrado Alcorão, tudo sempre esteve, está e sempre haverá de estar registrado no Livro Lúcido. Para futura premiação? Para futura punição? Bem, aqui, com todo respeito, divirjo do Alcorão Sagrado. Penso que o Kosmico não seja punitivo ou premiador; Ele é inconscientemente e não-direcionalmente educativo. A compreensão deste conceito, infelizmente, não pode, ainda, ser discutida em sua efetividade e integralidade no âmbito religioso.]

O que vos é prometido está iminente! Quanto as estrelas se tornarem escuras... Quando o céu se fender... Quando as montanhas forem desintegradas... E quando os mensageiros forem citados! (Surata Al Mursalat, versículos 7, 8, 9, 10 e 11). [Citei este versículo para que o leitor o compare com o Livro da Revelação, o último da seleção do cânon bíblico, geralmente conhecido como Apocalipse de São João.]

Sabei que o Dia da Discriminação está com a hora fixada. (Surata An Naba, versículo 17).

O dia em que o homem haverá de se recordar de tudo quanto tiver feito... (Surata An Nazi’at, versículo 35). [E o filme será visto de trás para frente, do fim para o começo, por, aproximadamente, três dias e meio do tempo terreno. O Credo Apostólico ensina: desceu ao inferno; no terceiro dia ressuscitou dos mortos... Qual inferno? O inferno pessoal. Que ressurreição? Da revisitação de todos os pensamentos, palavras e atos praticados na vida que se encerrou (relativamente bons e relativamente maus). E tudo termina? Como poderia terminar? Tese, antítese e síntese compõem um triângulo dialético que não se esgota em si mesmo, pois, cada síntese, na realidade, dialeticamente, se converte em uma tese, que será antiteticamente revista ou modificada (transmutada), para que nasça, surja, emerja, umA nova síntese. A essência do ser, tanto quanto do Universo, é o movimento. Ad æternum.]

 

 

 

 

Porém, quando retumbar o toque ensurdecedor, nesse dia, o homem fugirá do seu irmão, da sua mãe e do seu pai, da sua esposa e dos seus filhos. Nesse dia, a cada qual bastará a preocupação consigo mesmo. (Surata Ábaça, versículos 33, 34, 35, 36 e 37). [Comparar com o Livro da Revelação.]

Juro pelos planetas, que se mostram e se escondem, e pela noite, quando escurece, e pela aurora, quando afasta a escuridão, que (o Alcorão) é a palavra de um honorável Mensageiro, orte, digníssimo, ante o Senhor do Trono. (Surata At Taqüir, versículos 15, 16, 17, 18, 19 e 20).

O que é o Dia do Juízo? É o dia em que nenhuma alma poderá advogar por outra, porque o mando, nesse Dia, só será de Deus. (Surata Al Infitar, versículos 18 e 19). [Meu entendimento místico do Dia do Juízo reflete a experiência, pessoal, insubstituível e impostergável, que cada um de nós haverá de viver após a transição (ou morte), quando, conforme expliquei mais acima, o filme será visto de trás para frente, do fim para o começo, por, aproximadamente, três dias e meio do tempo terreno.]

Ai dos fraudadores, aqueles que, quando alguém lhes mede algo, exigem a medida plena. Porém, quando eles medem ou pesam para os demais, burlam-nos.1 (Surata Al Mutaffifin, versículos 1, 2 e 3).

Juro, pelo crepúsculo róseo, e pela noite, e por tudo quanto ela envolve, e pela Lua, quando está cheia,2 que passareis em plano a plano. (Surata Al Inxicac, versículos 16, 17, 18 e 19). [Misticamente, isto significa que, após a transição (ou morte), a revisitação será integral.]

Tolera, pois, os incrédulos. (Surata At Táric, versículo 17).

Bem-aventurado aquele que se purificar. (Surata Al A’la, versículo 14).

Admoesta, pois, porque és tão-somente um admoestador! Não és, de maneira alguma, guardião deles. (Surata Al Gháxia, versículos 21 e 22). [Aqui cabe a seguinte observação: podemos – e devemos – orientar, esclarecer, instruir; o que não podemos é obrigar autoritariamente uma pessoa a tomar uma decisão que ela ainda não compreende. Muito pior é quando nossa intervenção é feita com base em presumidas experiências pessoais, que pertencem só a nos, e não ao outro; e, pior ainda, quando essa intervenção está colorida de ameaças e terrores, geralmente inventados por nossos impercebidos devaneios esquizofrênicos.]

Atenta para o fato de que o teu Senhor está sempre alerta. (Surata Al Fajr, versículo 14). [Simbolicamente, recordo o Olho Que Tudo Vê ou Olho de Providência. Ele aparece, por exemplo, como parte da iconografia da Maçonaria. O Olho Que Tudo Vê é uma espécie de lembrete para os Maçons de que sempre são observados pelo Grande Arquiteto do Universo. No Islamismo, Hamsá (ou Hamsah) representa a mão de Fátima, filha do Profeta Muhammad, e significa os cinco mandamentos fundamentais que todo muçulmano precisa cumprir (os chamados cinco pilares do Islã – Arkan Al-Islam): 1- jejuar no mês do Ramadã; 2 - fazer, pelo menos, uma peregrinação à Cidade Sagrada de Meca durante sua vida; 3 - orar diariamente; 4 - fazer caridade; e 5 - declarar a Chahada (ou Shahada, profissão de fé ou testemunho que atesta a crença do devoto muçulmano em Deus e no Profeta Muhammad – Não há outra Divindade além de Allah; Muhammad é o seu Profeta). Hamsa (Hamesh) também é um símbolo utilizado pela comunidade sefaradi, muito ligada à parte mística e cabalística da Torá. O Hamesh é uma mão estilizada representando os cinco níveis da alma, o órgão/canal através do qual uma pessoa abençoa outra, simbolizando portanto bênçãos e proteção. No Gnosticismo, voando sobre as Águas da Vida, o Cisne Celestial Kala-Hamsa (ou Hansa) representa o Terceiro Logos. Hamsa é também uma ave mística do ocultismo, análoga ao Pelicano dos Rosacruzes. Nessa palavra está contido o mistério universal, a doutrina da identidade da essência humana com a Essência Divina. Na eternidade do tempo, corresponde ao conceito zoroastriano Eu-sou-o-que-eu-sou. Hamsa representa, por último, a Sabedoria Divina, na obscuridade e fora do alcance objetivo humano. Hamsa está intimamente relacionada com a Sagrada Palavra AUM: A = asa direita de Hamsa; U = asa esquerda; M = cauda. Enfim, todos nós temos muito que aprender com o sincretismo que vem de longe.]

 

 

Olho Macônico da Providência – Hamsah

 

 

Será venturoso quem purificar a alma e desventurado quem a corromper. (Surata Ax Xams, versículos 9 e 10).

Não maltrates o órfão, nem tampouco repudies o mendigo. (Surata Adh Dhuha, versículos 9 e 10).

A cobiça vos entreterá3 até que desçais aos sepulcros. (Surata At Tacáçur, versículos 1 e 2).

Os fiéis, que praticam o bem, aconselham-se na verdade, e recomendam-se, uns aos outros, a paciência e a perseverança! (Surata Al ‘Asar, versículo 3).

Ai de todo o difamador, caluniador, que acumula riquezas e as entesoura, pensando que as suas riquezas o imortalizarão! Qual! Sem dúvida que ele será precipitado naquilo que consome.4 (Surata Al Húmaza , versículos 1, 2, 3 e 4).

Dize: Ele é Deus, o Único! Deus! O Absoluto! Jamais gerou ou foi gerado! E ninguém é comparável a Ele. (Surata Al ‘Ikhlass, versículos 1, 2, 3 e 4).

Dize: Amparo-me no Senhor da Alvorada; do mal de quem por Ele foi criado. Do mal da tenebrosa noite, quando se estende. Do mal dos que praticam ciências ocultas. Do mal do invejoso, quando inveja!4 (Surata Al Falac, versículos 1, 2, 3, 4 e 5).

An Náss, revelada em Meca, é a última Surata do sagrado Alcorão. Ela, nos seus seis versículos, ensina:

Dize: Procuro refúgio no Senhor dos humanos,
O Rei dos humanos,
O Deus dos humanos,
Contra o mal do sussurro do malfeitor,
Que sussurra aos corações dos humanos,
Entre gênios e humanos!

 

 

 



 

 

 

Considerações Finais

 

 

O Profeta Muhammad (570 a. D. – 632 a. D.), segundo o legado tradicional, recebeu a Revelação Transnoética do Alcorão (do árabe al-Qur'an) em um período turbulento, no qual não havia nem harmonia nem entendimento sobre diversas questões que fervilhavam naqueles idos, desarmonias nomeadamente sociais, morais, políticas, econômicas e religiosas. Particularmente no campo religioso, qualquer coisa e tudo eram motivos para adoração e perversão. Cada facção ou tribo adorava um ídolo ou um elemento qualquer da natureza. Uma idolatria abjeta reinava entre os árabes. A desordem era generalizada. Na Península Arábica, onde nasceu o Profeta Muhammad e lhe foi revelado o Alcorão, os costumes, em geral, eram repulsivos e provocavam indignação moral naqueles que não os praticavam nem os aceitavam. Poligamia, poliandria (estado de uma mulher casada simultaneamente com vários homens), prática de obscenidades, assassinatos de filhas, herança de mulheres como se objetos fossem, impudicícia sem limites. Em meio a esse caos alimentado, difundido e preocupante, surdiu o Profeta Muhammad com a missão de difundir e irradiar o Livro de Deus - o Sagrado Alcorão - ensinando e pregando: ... a adoração a um Deus Único, o respeito ao ser humano, a valorização do pensamento e da mente, auspiciando uma nova ética, que elevaria o valor humano, negando as obscenidades e as imoralidades injungindo a relação do homem com sua comunidade e com seu Senhor. (Hadith narrado por Muslim, Abu Daud,Tirmidhi, Nasai).

Então, quando – na 4ª Parte deste trabalho-estudo, ao examinar o conteúdo da Surata Ar Rahman, versículo 26 – afirmei que tenho uma dificuldade intransponível em compatibilizar um Deus Alcorânico Oniouvinte, Onividente, Laudabilíssimo, Onisciente, Clemente, Prudentíssimo e Misericordiosíssimo com punição e tártaro, com condenação eterna e irremissibilidade, só a situação abjeta, desprezível e ignóbil da Península Arábica, onde nasceu o Profeta Muhammad, na qual os costumes, em geral, eram repulsivos e diabólicos, pode justificar tantas ameaças, tantas advertências e tantas intimidações contidas no Sagrado Alcorão. Por isso, também, ao apresentar o Objetivo do Trabalho, na Parte 1ª, apresentei as seguintes explicações, que reproduzo a seguir, com acréscimos e novas reflexões:

 

1ª) quem apenas lê as linhas de uma obra mística não leu nada. Pensou que leu. Na realidade, o que encontra são apenas falsas justificativas para suas incompreensões e presumidas pretensões. Só nas entrelinhas está o Sumo Bem do pensamento do autor;

2ª) seja a obra que for, em todas elas há o transitório e há o eterno. Os exemplos, particularmente, são transitórios, nomeadamente porque, muitas vezes, são temporais, metafóricos, míticos e educativamente ficcionais. Isto vale para o Sagrado Alcorão, como vale também, por exemplo, para as monografias da Ordem Rosacruz AMORC. A Filosofia Mística, em ambos os casos, escondida nas entrelinhas, é eterna, intemporal; os exemplos, em muitos casos, estão ultrapassados. Por isso, repito: as entrelinhas, de uma maneira geral, são eternas, invariáveis;

3ª) da mesma forma que Harvey Spencer Lewis, Sâr Alden (1º Imperator da AMORC para este Segundo Ciclo Iniciático), o Profeta Muhammad, ainda que por motivos diferentes, ditou suas inspirações. Ora, ambos, no caso dos exemplos, só poderiam exemplificar o que estavam ditando e ensinando com os fatos históricos (sociais e científicos) de suas respectivas épocas e do passado, próximo ou remoto, e, didaticamente, levando em conta o estado mental e cultural daqueles que receberiam os ensinamentos. Logo, imaginar que esses mesmos exemplos, em qualquer dos casos, devam se manter ad æternum insuperáveis e imutáveis é desconsiderar a própria evolução do pensamento humano, a atualização da história e da ciência e o progresso intelectual e espiritual da Humanidade. Portanto, o que se conclui? Só as entrelinhas mantêm a essência e o eterno do pensamento místico de ambos os autores. Insisti nesta matéria porque, em ambos os casos, há aqueles que ainda acreditam que não pode (ou deva) ser alterada uma vírgula do que foi dito (ou escrito) quer pelo Imperator Harvey Spencer Lewis, quer pelo Profeta Muhammad. Isto não é e não pode ser (ou permanecer) assim. A Idade Média (período da história mundial, especialmente européia, que, por convenção, se estende da queda do Império Romano, no século V, até a queda de Constantinopla, em1453) do Profeta Muhammad passou; o século XX de Harvey Spencer Lewis também passou; e

4ª) ler hipoteticamente, tendenciosamente, tanto as monografias da AMORC quanto o Sagrado Alcorão ou qualquer outro livro considerado espiritual, místico ou sagrado [como, por exemplo, a Sagrada Bíblia, a Torá e O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Hippolyte Léon Denizard Rivail, (1804 – 1869), conhecido pelo pseudônimo de Allan Kardec] é chegar a lugar nenhum. Isto não vou explicar porque é óbvio demais. Mas, mais ou menos parafraseando, não posso deixar de dizer que estou integralmente de acordo com o Profeta Muhammad: ai dos hipócritas; ai dos idólatras; ai dos canalhas, ai dos hipotéticos; ai dos falsificadores. Ai também dos traidores. Acho, até, que estes últimos são os piores!

Enfim, pergunto: Poderá o Verbum Dimissum mudar, deixar de ser o que é? Resposta: as manifestações do Verbum Dimissum são transitórias; o Verbum Dimissum, em si, é eterno.

 

Voltando ao Islã (total submissão à vontade de Deus), o Alcorão é a Palavra de Deus revelada, de forma fragmentada, ao Apóstolo Muhammad, da primeira à última Surata (Surata d'A Abertura até a Surata d'Os Humanos). É a leitura por excelência ou por recitação. O Homem e a Obra incitam à pesquisa, à aquisição de cultura e à especulação. Há prudencial incentivo à ciência, à instrução e ao estudo. Este Livro Sagrado – equivalente, por exemplo, à Bíblia Sagrada e ao Talmude (surgido da necessidade de complementar a Torá) – inclui recomendações e reflexões sobre a felicidade, a reforma entre os homens e a concórdia, no presente e no futuro. A Revelação teve duração de aproximadamente 23 (vinte e três) anos – os últimos da vida do Profeta Iluminado – tendo começado com a Primeira Surata, no mês do Ramadã do Ano 1º da Missão Apostólica, isto é, agosto de 610 a. D. Os Versículos e as Suratas revelados em Meca contêm as normas relativas à crença em Deus, em Seus Anjos, em Seus Livros, em Seus Mensageiros e no Dia do Juízo.

O Alcorão (que se constitui em um Código e um entendimento da Religião Islâmica) deu estrutura, sustentação e conservação ao Império Muçulmano edificado por Muhammad, cujas bases, minimamente, apóiam-se no respeito e na tolerância às outras religiões instituídas, na condescendência irrestrita perante as desigualdades de qualquer teor ou natureza e no amor incondicional e fraterno entre todos os seres. Se seguido à risca, não poderá haver desvios de nenhum gênero nem de nenhuma qualidade original, afirmou o Profeta, pois, o Alcorão, como já asseverei, segundo a fé islâmica, é o Livro Sagrado de Deus. Entretanto, para que possa ser cumprido integralmente (para que haja condescendência irrestrita perante as desigualdades de qualquer teor ou natureza, e para que floresça o amor incondicional e fraterno entre todos os seres) é necessário que seja integralmente compreendido, particularmente em Suas entrelinhas. E, como isto, lamentavelmente, não vem acontecendo na totalidade e não está sendo por todos respeitado, o que se assiste, com melancolia e contristação, é a completa deturpação de seus Princípios Sagrados por determinados grupos ultra-radicais que interpretam o Livro Sacro de acordo com percepções político-teológico-ideológicas equivocadas. Repetindo: o Alcorão é um Livro Sagrado de Deus. Como o próprio Deus, só pode ser invocado para o Bem, no qual o objetivo, obrigatoriamente, só pode ser o Supremo Bem. Igualmente ocorre o mesmo fato com a Santa Bíblia e com o Sagrado Talmude. Alguns judeus, árabes e católicos perderam o critério de atuação espiritual autêntico e primordial, e estão – esta minoria – agindo através de hipotéticos critérios irreais e inautênticos em defesa de entendimentos meramente humanos, apaixonados, cobiçosos, teológico-ideológicos e patrióticos (patrióticos segundo o entendimento deles).

O Profeta, sendo iletrado (segundo os registros históricos), era incapacitado para escrever o que Lhe era transmitido pela Divindade (que escolheu e determinou, conforme é admitido no Islã, como Revelador o Arcanjo Gabriel). A primeira Revelação do Alcorão ao Profeta Muhammad foi feita em uma sexta-feira, no dia 26 do mês do Ramadã, em 609 a. D., na Caverna de Hirá, próxima ao topo da Montanha da Luz (Jabal al-Nur), perto de Meca (na Arábia Saudita). Para tornar públicas as Revelações, socorreu-se, para esse mister, alguns anos depois do início das Revelações, de diversos escribas comprometidos com a Nova Ordem, de aderentes conversos ou de pessoas de sua confiança, todos criteriosamente escolhidos, que em Meca e em Medina alcançaram a cifra de 43 (quarenta e três) colaboradores diretos.

Interessante este número 43! A soma de seus algarismos leva ao número Sete (4 + 3)! Sete é o número de Versículos da Surata Al-Fátiha, a Surata d'A Abertura, revelada em Meca. O número 43, por outro lado, é um número primo, exatamente o Décimo Quarto. (2, 3, 5, 7, 11, 13, 17, 19, 23, 29, 31, 37, 41, 43...). Um duplo Sete! [Um inteiro, maior do que um e distinto de zero, é denominado de número primo se seus únicos divisores positivos – fatores – forem um e o próprio número. Convencionou-se não considerar o número 1 como primo. Matematicamente, isto possibilita estabelecer proposições sobre os números primos sem introduzir qualificações]. A adição dos algarismos de 14 (1 + 4) é igual a Cinco! Recordando. Os Cinco Mandamentos fundamentais que todo muçulmano precisa cumprir (os chamados Cinco Pilares do Islã – Arkan Al-Islam) são: 1- jejuar no mês do Ramadã; 2 - fazer, pelo menos, uma peregrinação à Cidade Sagrada de Meca durante sua vida; 3 - orar diariamente; 4 - fazer caridade; e 5 - declarar a Chahada (ou Shahada, profissão de fé ou testemunho que atesta a crença do devoto muçulmano em Deus e no Profeta Muhammad – Não há outra Divindade além de Allah; Muhammad é o seu Profeta).

Por outro lado, o número total de Revelações (Suratas) é de 114 (cento e quatorze), fracionadas em 30 (trinta) Livros (Juz), que contêm 6616 (seis mil seiscentos de dezesseis) Versículos (Ayas). Foram recebidas, quando a oportunidade se fazia presente e urgente, no decorrer de treze anos em Meca (Cidade árabe onde nasceu Muhammad) e no decurso de dez anos em Medina. A Revelação, às vezes, consistia de uma Surata integral; em outras oportunidades o Profeta intuicionava cosmicamente apenas alguns Versículos. Durante seus últimos anos de vida, seu amanuense predileto era Zaid Ibn Çábet. E 6616 também não foram números escolhidos por acaso! Teosoficamente, tem-se: 114 e 30 são equivalentes, porque 1 + 1 + 4 = 6, sendo 6 o Valor Oculto ou Secreto de 3. Seis é um Número Perfeito (um Número Perfeito é um número cujo resultado da soma dos seus divisores naturais reproduz o próprio número). Assim, o número 6 tem como divisores 1, 2 e 3; e 1 + 2 + 3 = 6. 30 é o próprio 3 em um Nível ou Plano mais refinado, mais elevado. Os 6616 Versículos! 6 + 6 + 1 + 6 = 19! 19 = 1 + 9 = 10 = 1 + 0 = 1. Em outra dimensão, a soma das Suratas, dos Juz e dos Ayas é igual a 6760, que se reduz novamente a Dezenove. Unidade! O que se conclui? O Sagrado Alcorão, em todos os aspectos, é uma obra unitária.

O Alcorão (constituição que Deus escolheu para os seus verdadeiros servidores), contemporaneamente declamado em todo o mundo, afirmam os especialistas e pesquisadores árabes e não-árabes, é o mesmo recitado pelo Apóstolo e por seus discípulos e companheiros de Peregrinação. O Círculo Íntimo. Esta uniformidade benfazeja é devida à determinação intimorata, propícia, tempestiva e necessária do Terceiro Califa, Uçman Ibn Affan, que ordenou que fossem queimadas todas as cópias anteriormente existentes que estivessem em dissentimento com a cópia oficial (elaborada por uma Comissão de Doutos e presidida pelo já referido Zaid Ibn Çábet), que instituía um único padrão recitativo baseado nos Pergaminhos escritos no tempo de Abu Bakr. Em todo os lugares, o Alcorão Sagrado conserva a mesma estrutura, as mesmas letras, as mesmas Suratas e os mesmos Versículos. Não é um Livro só para os muçulmanos; é dirigido a toda a Humanidade sem separação ou distinção de etnia, confissão religiosa ou grau de instrução. O Alcorão – como a Bíblia Sagrada e o Talmude – é de todos e é para todos. Muçulmanos, judeus, cristãos, budistas... O Livro de Dzyan também é para todos... O Svmmvm Bonvm é de todos e é para todos... O Universo é Um... A Divindade é Una. Somos todos irmãos.

Se eu tivesse que pinçar o que mais me comoveu na obra alcorânica, ensinada e transmitida pelo Profeta Muhammad, assinalaria:

 

Deus não tem misericórdia daquele que não têm misericórdia dos outros.

Ninguém de vós crê realmente, antes de desejar ao seu irmão o que deseja a si próprio.

Aquele que se alimenta enquanto seu vizinho está passando fome não é crente.

O comerciante honesto está associado aos Profetas, aos Santos e aos Mártires.

O poderoso não é aquele que derruba os outros. Poderoso é aquele que se controla em um acesso de cólera.

Deus não vos julga baseado em vossos corpos e aparências, mas perscruta vossos corações e examina vossas obras.

Um homem caminhava em uma estrada e sentiu muita sede. Encontrando um poço, nele desceu, saciou a sede e subiu. Então, viu um cão arfando, tentando lamber a lama para minorar a sede. O homem percebeu que o cão estava sentindo a mesma sede que ele sentira antes. Então, ele desceu novamente no poço e encheu o seu sapato com água e deu de beber para o cão. Por isto, Deus perdoou os pecados do homem. Aqueles que ouviam este ensinamento perguntaram ao Profeta: — Ó Mensageiro de Deus, seremos acaso recompensados por nossa bondade para com os animais? Ele respondeu: — Há recompensa pela bondade demonstrada por qualquer ser vivo.

 

Enfim, o que ensinou o Profeta Muhammad? Retribui tu o mal com o bem... Quanto àquele que indultar possíveis ofensas dos inimigos... saiba que seu galardão pertencerá a Deus... Assassinato é um grave delito... Enfim, ensinou:

 

 



 

Pela Humanidade e por mim, obrigado Profeta Muhammad!


 

 

 

 

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Notas:

 

1. Muito acertadamente, comenta Samir El-Hayek: A palavra fraudadores deve, aqui, ser tomada com sentido amplo e geral. Ela compreende aqueles que proporcionam medidas e pesos a menos, mas abrange muito mais do que isso. Os dois versículos seguintes [desta Surata] deixam claro que o que é condenável é o espírito de injustiça, ou seja, dar pouco e pedir muitíssimo. Isto pode ser verificado nas transações comerciais, em que uma pessoa exige padrões mais altos em seu favor do que em favor de outras pessoas. Em questões domésticas ou sociais, um indivíduo ou um grupo exige honra, respeito e ajuda, que não é capaz de dispensar aos outros, em circunstâncias similares. Isto é pior do que o egoísmo unilateral, porquanto se trata de injustiça em dose dupla. Todavia, pior do que tudo é quando se trata de religião ou da vida espiritual; como uma pessoa pediria pela misericórdia e pelo amor de Deus, quando ela própria se furta a dispensá-los aos seus semelhantes?

2. Nesta nota, reproduzo um interessante comentário de Samir El-Hayek: a astronômica Lua cheia, às nossas vistas, não dura senão um momento. No momento e que a Lua está cheia, ela começa a declinar, e no momento em que ela está em seu desfalecimento interlunar, ela novamente inicia a sua carreira para se tornar uma Lua nova. Assim é a vida do homem aqui embaixo; não é fixa ou permanente, tanto nas suas fases materiais, ou, o que é ainda mais estarrecedor, em suas fases mais sutis – intelectual, emocional e espiritual.

3. Samir El-Hayek ensina: A ganância, ou seja, a paixão em procurar um aumento de riqueza, de posição, do número de adeptos ou seguidores ou sustentadores, de produção e organização em massa, poderá afetar um indivíduo apenas, ou, ainda, uma sociedade ou nação inteira. O exemplo ou a rivalidade com outras pessoas, em tais expedientes, quando se torna desordenado e chega a monopolizar a atenção, não deixa tempo para que sigamos as coisas elevadas da vida; uma clara admoestação é apresentada neste versículo, do ponto de vista espiritual. O homem poderá estar imbuído destas coisas, até que a morte se aproxima, sendo que, então, ele olhará para trás, para uma vida desperdiçada, no que diz respeito às coisas elevadas.

4. Comentário de Samir El-Hayek: Três defeitos são, aqui, condenados, nos mais veementes termos: (1) provocação de escândalo ao falar ou sugerir o mal a um homem ou a uma mulher, por meio de palavras ou insinuações, ou posturas, ou mímicas, ou sarcasmo, ou insulto; (2) difamação do caráter de terceiros, por trás das suas costas, mesmo que as coisas sugeridas sejam verdadeiras, sendo, contudo, más as intenções; e (3) entesouramento de riquezas, não para uso e serviço daqueles que necessitam delas, mas em um miserável açambarcamento, como se isso pudesse prolongar-lhe a vida de avarento ou proporcionar imortalidade, sabendo-se que a avareza, por si só, é uma espécie de escândalo.

5. Samir El-Hayek explica: Falac significa madrugada ou alvorada, a ruptura das trevas e a manifestação da luz. Isto pode ser entendido em vários sentidos: (1) literalmente, quando a escuridão da noite se encontra com a intensidade total e os raios de luz se infiltram por ela, produzindo a alvorada; (2) quando as trevas da ignorância são muito intensas e a Luz de Deus se infiltra por entre elas, iluminando-as; (3) a inexistência significa trevas, sendo que a vida e a atividade podem ser caracterizadas pela luz. O Autor e a Fonte de toda a verdadeira luz é Deus; e se O procurarmos, ficaremos livres da ignorância, da superstição, do temor e de toda a sorte de males.

 

Páginas da Internet consultadas para a elaboração deste estudo:

 

http://paxprofundis.org/
livros/alcorao/alcorao.html

http://altreligion.about.com/library/
glossary/symbols/bldefshamsa.htm

http://pt.wikipedia.org/
wiki/Hams%C3%A1

http://www.chabad.org.br/
INTERATIVO/FAQ/hamsa.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Olho_da_
Provid%C3%AAncia#Ma.C3.A7onaria

http://www.islam.com.br/
quoran/traducao/index.htm

http://www.hackneymuslim.org/
HomePage.html

http://pt.wikipedia.org/
wiki/Zakat

http://pt.wikipedia.org/
wiki/Alcor%C3%A3o

http://www.alcorao.com.br/

 

Fundo musical:

Domminy

Fonte:

http://www.regiaomediterranea.com/
morocco/mo_musmn.htm