A ESTÉTICA SEGUNDO O PENSAMENTO PANTITEÍSTA DE JOSÉ MARIA DA CUNHA SEIXAS (E AS MISÉRIAS DO NOSSO TEMPO)

Rodolfo Domenico Pizzinga

 

Música de fundo: Mouraria

http://des_ligado.sites.uol.com.br/MIDIS.htm

 

Eu odeio prostitutas, negros, umbandistas, homossexuais, transgenders e comunistas. Detesto carecas, mauricinhos, patricinhas, neoliberais, padres, militares e crianças. Desprezo profundamente pombos, dia chuvoso, dia ensolarado, franco-maçons, rosacruzes, martinistas, budistas e muçulmanos. Tenho verdadeira aversão a judeus, ricos, pobres, sem-terras, sem-tetos, lésbicas, gambás, gatos, gente que tira meleca e gente que come meleca. Repugna-me profundamente ver determinadas pessoas com os mesmos defeitos e as mesmas manias que eu tenho. Essas, se eu pudesse, aniquilaria liminarmente. Odeio o deus que colocou essa gentalha e essa bicharada no mundo só pra aporrinhar o juízo de pessoas como eu que não fazem parte desse mistifório. Deveriam morrer todos em um dia de chuva. Melhor se fosse no turbilhão  de  um vendaval. Afogados. Danem-se. Não tenho pena de ninguém.   São todos o excremento deste Mundo!

 

 

INTRODUÇÃO

 

        José Maria da Cunha Seixas nasceu na Vila de Trevões, ao norte da Beira-Alta, Portugal, pertencente, hoje, ao Conselho de São João da Pesqueira, em 26 de março de 1836 e faleceu em Lisboa em 27 de maio de 1895, com a idade de 59 anos. Cunha Seixas, contemporâneo de Silvestre Pinheiro Ferreira (1769-1846), Pedro Amorim Vianna (1822-1901), Antero de Quental (1842-1891), Oliveira Martins (1845-1894) e Domingos Tarrozo (1860-1933), ainda que educado adentro da Religião Católica, insurgiu-se contra sua rígida ortodoxia, e estabeleceu um Sistema Filosófico (sintonizado em particular com o espiritualismo francês e com o Krausismo) ao qual denominou PANTITEÍSMO, que significa, etimologicamente, Deus em tudo. Segundo a Filosofia Pantiteísta, Deus em tudo está, mas não se confunde ou se identifica com o criado.

        A idéia seixina de Deus pode ser resumida da forma seguinte: Deus é a fonte de toda a verdade, de todo o bem, de toda a beleza e de toda a ordem. Em uma palavra: HARMONIA. Entretanto, para Cunha Seixas, a Trindade Cristã era um excêntrico dogma. No todo, Deus é UM e sua manifestação trinitária revela-se como Ser (fonte de vida), Verbo (amor) e Lei (conciliação). Sinteticamente, Cunha Seixas propôs:

1ª Lei: (SER) os elementos primordiais, vale dizer, a unidade do ser, indicando a virtualidade das coisas;

2ª Lei: (MANIFESTAÇÃO) as suas maneiras de ser, isto é, as suas relações e manifestação, apontando sua atividade e antinomias; e

3a Lei: (HARMONIA) a classe a que pertence na ordem universal, ou seja, a síntese. Acima destas leis está o Absoluto. O Deus único.

 

Cunha Seixas

Fotografia 1: José Maria da Cunha Seixas
Fonte: Diario Illustrado, nº 4128, Lisboa, 27/10/1884

 

A ESTÉTICA PANTITEÍSTA  

 

               Em Estudos de Literatura e de Filosofia Segundo o Sistema Pantiteísta, o Pensador Beirão sustentou que o espiritualismo parte da convicção de que ...é a existência dos sentimentos de ciência, de moralidade e de religiosidade que são, todos os três, com o sentimento do belo, outras tantas manifestações do sentimento de infinito...(1) A palavra estética é um feminino substantivado derivada do adjetivo estético, que por sua vez, deriva do grego aisthetikós, e designa a ciência filosófica da arte e do belo. Na Crítica da Razão Pura, Kant (1724-1804) quis significar por Estética Transcendental a ciência de todos os princípios da sensibilidade 'a priori', em contraposição àquilo que encerra os princípios do pensamento puro, por ele denominada de Lógica Transcendental.(2)

        Mas, Cunha Seixas — que leu Kant — não gostava de ver a Estética apenas associada à idéia ou à ciência do belo. O belo — para Seixas — não é, pois, o agradável, nem o bom, nem a imitação da Natureza. O belo impõe-se aos sentimentos provocando logo a admiração em todos os tempos e lugares e em todas as pessoas. Tem um caráter superior de universalidade e de impersonalidade... O belo depende da forma porque não é uma abstração nem uma idéia simplesmente: é uma individuação quando realizado... O belo, se é divino na essência, é terreno na forma. O caráter divino é a idéia; o terreno, a forma... O belo procede da individuação do infinito no finito.(3)

        O belo, portanto, agrada e reflete o Bem e o Verdadeiro. Sua origem é o Ser Infinito que opera tendo em vista a perfeição. O belo, para Cunha Seixas, é independente da arte. A arte põe-no em relevo. O sentimento de infinito, quando aplicado ao finito, demonstra o ideal superior que existe na alma humana. Por isso, a obra de arte constitui-se de uma unidade na qual estão presentes a perfeição e a eternidade, que correspondem ao Ser Em Si, ou seja, à Unidade Perene. É constituída, também, pelo transitório — influências que recebe do próprio artista, do meio, da época etc. É, por último, continua Seixas, um infinito relativo, harmônico, unida a uma infinidade de manifestações universais. A revelação subjetiva do belo está sempre presente e constitui-se da mesma Lei de Três Elementos: SER, MANIFESTAÇÃO e HARMONIA.(4) e (10)

       O belo, como reflexo da Divina Essência, revela-se nas obras de arte, oferecendo ao espectador um prazer especial sem paralelo a outros tipos de prazeres. A obra de arte, de acordo com o ideário pantiteísta, traduz no limitado a suprema beleza do Ilimitado. Cunha Seixas, na Galeria de Sciencias Contemporaneas, escreveu: O nosso entusiasmo na contemplação das obras de arte é um sentimento puríssimo, pelo qual parece que nos soltamos das prisões do terreno e das muralhas deste mundo, para nos transportarmos a um mundo — a uma esfera superior — libertando-se-nos a alma, por um maravilhoso mistério, de tudo que é pequeno, para errar nas vastidões do infinito. Esse sentimento é em nós despertado pelo belo, quer existente na Natureza, quer criado pela arte. É o que nos acontece ao contemplarmos o firmamento, o mar, as selvas, os grandes poemas ou os monumentos de eloqüência.(5)

         A arte é, enfim, ...o santuário do infinito revelado em essência pela imagem e pela forma.(6) Se a inteligência humana não consegue explicar-se no infinito, ao menos sente-o. A obra de arte exemplifica essa sensação, que em Seixas se traduziu em uma nova compreensão, em uma certeza irredutível e em uma experiência pessoal. Assim, a Estética Pantiteísta aprecia os elementos supra-experimental e experimental. O primeiro dá a unidade; o segundo, a variedade, tendo como alvo a HARMONIA. No prólogo aos Estudos de Litteratura e de Philosophia Segundo o Systema Pantitheista, o grande espiritualista português resumiu seu pensamento da seguinte forma: A Estética terá de atender a dois elementos: o supra-experimental que dá a unidade e o experimental que dá a variedade, fundindo-se ambos em uma unidade conjunta, o que constitui o plano primordial da obra (1ª Lei), que se desenvolve, segundo diversas direções, umas conservadoras e outras evolutivas (2ª Lei), com subordinação e congruência de todas as partes ao fim do artista para se realizar a harmonia (3ª Lei).(7)

         Extrai-se constante e sistematicamente do pensamento do Filósofo Trevoense a especulação de que há um Ser Infinito a atrair centrípeta e permanentemente o homem. Quando este homem se deixa magnetizar e imantar por este ímã divino (que está em seu próprio interior, Lei que Cunha Seixas repeliu, pois em sua luta para filosoficamente tentar conciliar imanência e transcendência, recusou a possibilidade mística da realização pelo ente da Divindade in imo pectore), tendem a desaparecer o interesse pessoal e hipotético pelas coisas do mundo e o gosto por tudo que não represente o Bem e que não irradie Beleza. As guerras, nesse contexto, são a antítese do Belo e do Bem universais. Pax vel inivsta vtilior est qvam ivstissimvm bellvm. (A paz, mesmo injusta, é mais útil do que a guerra justíssima). A alma, atraída pela beleza infinda, acaba por pressentir e reconhecer o aspecto divino que tem em si. É o início do processo libertador da prisão mental e a ascensão ao sublime, ao eterno. O belo que se manifesta nas obras de arte proporciona, ao mesmo tempo em que catalisa, esse estado de consciência. Com a palavra o Pai do Pantiteísmo: Acendrarmos os sentimentos na idéia puríssima e desinteressada do belo ideal, ardermos no violento fogo do infinito, banharmo-nos na onda egéria da arte, termos a visão do amor perfeito, deste amor que vem do fundo da alma e que nos inebria, deste amor que acende a luz do espírito e a vida do coração, que pinta os eflúvios da alma no rosto e nos olhos, ascendermos à contemplação puríssima do Absoluto, despidos de tudo que nos empana a visão do supremo, tudo isto é o antegozo da beleza etérea, é o libertamento (sic) da nossa alma que se desprende e se solta das cadeias da Terra, e, quebrando as algemas do variável e do transitório, se abalança ao eterno para entrar em um paraíso de perfeição, para idealmente conhecer que há no homem muito de divino. Enfim, para na sublime ascensão sentir que o espírito não procede do que é sensível, mas, sim, de um Ser que nos atrai e pelo qual a nossa alma clama nas maravilhosas ânsias da beleza infinda.(8)

           A arte, portanto, exaltando o divino, o eterno, o infinito, é propagadora da idéia de Bem. O homem sente e realiza na arte esse Bem divino, eterno e infinito. Procurando harmonizar fatos históricos e reflexões filosóficas, Seixas estabeleceu Nove Leis gerais para a arte. As cinco primeiras constituem uma unidade, mas ainda um tanto indefinida; a sexta e a sétima representam o modo de ser da idéia, ou seja, sua determinação; e as duas últimas Leis exibem a harmonia orgânica da obra de arte sob o influxo do infinito. São elas(9):

 

1ª)  Existência e realidade do infinito, fonte de toda beleza;
2ª) Existência e realidade da beleza infinita objetivamente na Natureza;
3ª)    Existência e realidade da idéia de belo em nós;
4ª)   Possibilidade de expressão e de exterioridade da idéia de belo pelo gênio humano;
5ª)    Individuação do belo em uma idéia particular; 
6ª)    Necessidade de forma sensível; 
7ª)    Representação desta em variedade de gêneros e de infuências sob leis fixas; 
8ª)  Conjunção harmônica das partes da produção artística entre si formando um organismo; e
9ª)    Obtemperação geral à Lei do Infinito.

 

        Conclusivamente, o que se deprende do pensamento de José Maria da Cunha Seixas sobre a Estética é que — como ele mesmo declarou em Phantasias d’Amor — sendo espiritualista em Filosofia não poderia deixar de sê-lo também naquilo que concerne ao sentimento do belo e dos efeitos da criação artística.(10)  Não se tem notícia, em Portugal, de que um homem de letras, advogado e filósofo, tenha dedicado tantos esforços para homenagear e tentar explicar a compreensão que alcançara do Deus de seu Coração.  Seu último livro — sua obra magna — Princípios Gerais de Filosofia, foi lido pela primeira vez em Portugal por mim, quase um século depois de ter sido publicado. Isso parece brincadeira, mas é verdade. Tive eu próprio que abri-lo com todo o cuidado, pois fora impresso com as folhas dobradas quatro a quatro. Talvez — estou acrescentando esta hipótese agora — porque era muito grosso e muito grande! Possui 1072 (mil e setenta e duas) páginas. No Prólogo, datado de 15 de Abril de 1895, quarenta e dois dias antes de ir ao encontro do Deus que tanto amou, deixou gravado: Este livro é a afirmação das forças do espitualismo e a derrocada final do materialismo. Infelizmente sua profecia não se cumpriu, mas ele, certamente, cruzou o Grande Portal com sua consciência tranqüila. Cumpriu a missão que se auto-impôs. Em 12 de Julho de 1988 tive a oportunidade de defender na Universidade Gama Filho a tese de que seu Sistema Pantiteísta é original, ainda que tenha — o que foi inevitável, mas não o desqualifica — recebido aportes de Santo Agostinho, de Kant (de quem discordou até a razão prática, pois, nessa obra Kant alçou-se às mais elevadas doutrinas, onde pôs de parte a subjetividade e aceitou a luz da ordem suprema), de Hegel, da Doutrina Krausista, de Bordas-Demoulin, de Malebranche, de Descartes, da Filosofia Platônica e de Leibniz. Do Panteísmo, que repudiou, recolheu a necessidade do Uno e da Harmonia. Por tudo que especulou, percebe-se claramente em sua obra sua ininterrompida preocupação em tentar despertar a alma portuguesa para a livre discussão das questões magnas da Filosofia. Seu espiritualismo inabalável, sua vocação pedagógico-apostólica e seu sentimento patriótico inigualável impulsionaram-no a empreender essa nobre mas inconclusa cruzada. Foi um solitário fala-só (mas nem de longe um fala-barato) em meio a um mar de preconceitos e de superlativa ignorância. Seu Pantiteísmo foi recusado na Terra de minha mãe sem ter sido examinado, sem ter sido lido e sem ter sido discutido. Simplesmente os portugueses de seu tempo não leram suas obras e por isso não gostaram do que não leram. Eu li. Gostei. Entretanto, discordei aqui e ali. E daí? Não estou proibido de amar o meu irmão Cunha Seixas por isso. Ou estou? Pois.

        Um acréscimo extemporâneo, mas necessário: Também li tudo que me chegou às mãos de Raymond Bernard. Não concordo com sua posição sobre o aborto exposta em uma das Mensagens do Sanctum Celestial. De novo: e daí? Bernard é um Illuminado, mas não é infalível. Estarei eu equivocado em relação ao seu posicionamento? Pode ser. Então, se assim for, nessa matéria, o falível sou eu. Mas, até a data de hoje, 17 de Julho de 2004, 8:56 horas da manhã (e eu ainda não fui dormir!) deste sábado nublado, NÃO ACEITO o aborto sob nenhuma alegação. Respeito, sem quaisquer reservas, outros entendimentos.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

        Não vou aprofundar, nesta oportunidade, minhas especulações sobre o pensamento seixino. Pretendo navegar para outra direção. Apenas, rapidamente, utilizei como mote a idéia seixina de bem e de belo para o que se seguirá. Poderia ter trabalhado Kant ou Platão, por exemplo, mas hoje preferi Seixas. Estava com uma certa saudade do seu Pantiteísmo. Viver também é recordar. Vou abordar esse tema, mas sob outro enfoque, um pouco mais abaixo. Deixo, então, ao leitor a liberdade de concordar ou de discordar de Cunha Seixas. Contudo, acredito que a consulta à Referência Bibliográfica nº 10 seria muito proveitosa. Mas, considerando que a Estética é a parte da Filosofia voltada para a reflexão a respeito da beleza sensível e dos fenômenos artísticos, e considerendo também que é, segundo Kant, o estudo dos juízos por meio dos quais os entes afirmam que determinado objeto (artístico ou natural) desperta um sentimento de beleza ou sublimidade, e que pode, ainda, ser entendida, outrossim, segundo Hegel (1770-1831), como o estudo da beleza artística que apresenta em imagens ou representações sensíveis a verdade do espírito, do princípio divino, ou da idéia — dando uma dica do que será visto mais adiante — eu pergunto: As imagens chocantes que estão reproduzidas mais abaixo — pequena amostra da insanidade do mundo hodierno — como devem ser classificadas? E o bem? E o Belo? Em termos místicos, como interpretá-las? Como compreender adequadamente horror, terror, matanças e degolas? Bush invade e bombardeia — legítima defesa preventiva? Sharon mata seletivamente e arrasa. Por que? A Al-Qaeda revida. Quo usque tandem tanta loucura? O boletim semanal de alerta do FBI (Polícia Federal dos EUA), enviado para 18 mil agências de segurança em todo o mundo, focou-se na possibilidade de a Al-Qaeda recrutar não-árabes para lançar ataques contra os EUA. O Departamento de Segurança Interna primeiramente mencionou tal possibilidade de recrutamento em dezembro do ano passado, quando subiu o nível de alerta antiterror de amarelo para laranja, afirmando que informações de inteligência indicavam que terroristas poderiam estar planejando usar armas químicas, nucleares, biológicas ou radiológicas. Quo usque tandem abutere...?

        Será possível tudo isto ter um final feliz? Tornaremos [simbolicamente] a assistir comédias romântico-musicais do tipo happy end? Onde se escondeu o amor, o bem e o belo?

        Quem abriu esta página e chegou até aqui, sou obrigado a admitir, é um ser, como eu, que está empenhado em se autodepurar, isto é, em restaurar suas características divinas ou em se aperceber dessas mesmas qualidades distintivas fundamentais. Não importa absolutamente nada se essa apercepção ou reintegração está se fazendo pela ciência, pela religião ou pela iniciação. O rio que conduz ao oceano da beleza e do bem universais tem incontáveis afluentes. Por outro lado, a própria beleza e o próprio bem hoje sentidos por um ente nada mais são do que um estado relativo de harmonia individual com as circunstâncias em que vive e atua. A interpretação e a sensação do belo do século XIX eram diferentes das percepções do belo do século XXI. Mas, para aqueles que admitem que possa haver um Belo em Si, este é, desde sempre, inalterável. Se é assim, aquele que julga que sua profissão é a mais importante, que sua religião é a única que salva ou que sua fraternidade é a exclusiva detentora dos mistérios da Sagrada Iniciação está, no mínimo, sendo infantil, preconceituoso e intolerante. É, mais ou menos, como admitir que o padrão de beleza do Mundo das Realidades deva ser um e somente um. Tolice. Quem ama o feio, bonito lhe parece. Particularmente no caso do amor entre dois seres, a beleza não é percebida com os olhos, mas sentida com o coração. Poeticamente é assim. Que eu seja bem claro: estou me referindo ao amor (presumidamente sincero) entre dois seres humanos que admitem viver juntos para sempre e mais seis meses, não a transas tão-só sacanocráticas (que não aprovo nem recrimino) nas quais o que predomina é a atração físico-astral pela beleza plástica. Isto é meramente paixão. Como dá, passa. Enjoa.

        Tenho horror a pivete, abomino prostitutas e homossexuais, negro quando não caga na entrada caga na saída (consultar um texto de minha autoria denominado Meus Amigos Não Têm Cor — O Lado Místico de Frank Sinatra), comunista come criancinha, rosacrucianismo é magia negra, umbanda é coisa do demônio, todos os padres são pedófilos, tenho medo de ladrão etc. Como classificar estes pensamentos ou estas correntes verbalizações? Eu sei: são formas hórridas de satanismo inconsciente, todavia conseqüente. Então, como tema para meditação, submeto a proposta de Vicente Velado, Abade da OS+B para o Terceiro Mundo: Qual o maior crime: roubar um banco ou fundar um? Mudando o que deve ser mudado, qual o crime mais hediondo: ocupar um país pela força ou contra-atacar para se defender? Por outro lado, uma terceira reflexão pode ser encaminhada na linha: A abominação que alguns dizem sentir por prostitutas, dependentes químicos compulsivos, homossexuais, negros, religiosos em geral, comunistas, pivetes etc. não estará reconditamente escondendo — mais do que um preconceito e um ato de intolerância — uma lembrança, talvez, que quer emergir ao plano consciente, mas que é empurrada para dentro do saco de ilusões pretéritas (e ainda presentes) por um comando mental subalterno mais poderoso do que o desejo fugidio e a necessidade indecomponível de reconciliação interior, de reacomodação com o(s) outro(s) e de reabilitação cósmica? Recordar e admitir erros passados são os dois melhores remédios para o início da cura de qualquer mazela (seja física, seja mental). Necessitamos, se quisermos nos libertar para o recebimento consciente do Crestos Cósmico, de nos alforriarmos de nosso puer æternus interior. Metonímias escusatórias são recursos indigentes e covardes. Só se conserta e se corrige o que se conhece. Mas, conhecer, em princípio, conhecemos. Esquecemos porque o mecanismo (???) de defesa psíquica é mais poderoso do que o desejo de nos lembrarmos para fazermos os curativos necessários. Olhar os demônios que partejamos diariamente não nos interessa muito. Contudo, compensar (retribuir ou reciprocar) pela compreensão é o mais nobre e elevado caminho que um místico verdadeiro deve perseguir. Não deixa de ser uma forma de Illuminação Interior. E, repetindo o que já escrevi em outro lugar: não há nada mais execrável e doentio do que um moralista de salão. Pior, muito pior quando se trata de um estudante de misticismo. Mais do que muito pior quando se julgam, estes estudantes, os donos insubstituíveis da verdade. Desde quando, eu gostaria francamente de entender, uma ordem iniciática é mais importante do que outra? Acrescentando: No outono ou no inverno da vida, às vezes antes, infelizmente, esses falsos moralistas e esses pseudo-pasticho-místicos costumam surtar. Crises decorrentes de problemas psicológicos relacionados com a incapacidade de responder a situações novas e conflitos, neuroses ou ainda ansiedade permanente podem levar os seres humanos a manifestar um ou mais surtos psicóticos. Isso é muito triste e, de certa forma, pode ser evitado. Mas, nossos rascunhos têm que ser passados a limpo. Na seqüência deste ensaio são oferecidos diversos caminhos e sugestões. Atenção: não são panacéias que possam remediar milagrosamente os desajustes da encarnação. Em absoluto não são! São PORTAIS que, abertos pela personalidade-alma, permitirão uma dialética verdadeira do eu com o EU MAIOR IN IMO CORDE que cada um de nós possui em seu próprio interior. Só compensa exclusivamente pela dor e pelo desajuste mental quem assim o desejar. Disse Mestre Apis: O Lótus é a Rosa agora e para sempre. Sobre a Cruz, como uma Chave, tal como a Ankh.   M'.'  K'.'  R'.'

        Reduzindo o Caminho para a Illuminação interior a Três Estágios, tem-se: DOR, AMOR e COMPREENSÃO. Haverá sempre, inevitavelmente, uma mistura heterogênea destas três formas compensatórias. Mas, é perfeitamente possível minorar a cota de DOR. Quando a COMPREENSÃO se fizer integralmente e o AMOR for IMPESSOAL e CATEGÓRICO, estará cumprido o ciclo compulsório do processo encarnativo.

 

AUM   RAH   MAH   HUM

 

Fotografia 2: Meu amigo João Roberto da Paciência NABUCO (que conheceu pessoalmente o Barão de Itararé – Cleptomaníaco: ladrão rico. Gatuno: cleptomaníaco pobre), BLANCA Maria Cella (minha esposa, cúmplice e confidente) e eu (no centro) comemorando, há alguns anos, um de seus aniversários. Ai do desavisado que tocar em seu surrealista, crítico-paranóico e daliniano bigodão! Há um mistério indecifrável por ninguém ainda desvendado: como serão os momentos agradáveis entre Nabuco e sua esposa? Respeitará ela seu daliniano bigodão? Será ela a única a poder acariciá-lo sem sofrer as penalidades da lei nabucoliana? Eu nunca me atrevi a chegar perto daqueles ralos fiapinhos. Com todo o respeito.

 

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PRECONCEITO RACIAL

 

      O episódio a seguir relatado aconteceu realmente em um vôo da BRITISH AIRWAYS entre JOHANNESBURGO e LONDRES.

       Uma senhora branca, de uns cinqüenta anos, senta-se ao lado de um negro. Visivelmente perturbada, ela chama a aeromoça.

       — Qual o problema, senhora? Pergunta a aeromoça com amabilidade.

       — Mas você não está vendo? Respondeu a senhora irritadíssima. — Você me colocou ao lado de um negro. Eu não consigo ficar ao lado desses nojentos. Quero outro assento agora.

        — Por favor senhora, acalme-se. Diz a aeromoça. — Quase todos os lugares deste vôo estão tomados. Vou verificar se há algum lugar disponível.

       A aeromoça afasta-se e volta alguns minutos depois.

       — Minha senhora, como eu suspeitava, não há nenhum lugar vago na classe econômica. Eu conversei com o Comandante e ele me confirmou que não há mais lugares disponíveis. Entretanto, por sorte, ainda temos um lugar desocupado na primeira classe.

       Antes que a senhora pudesse fazer qualquer comentário, a aeromoça arrematou: — É um fato totalmente inusitado a Companhia conceder um assento de primeira classe a um passageiro da classe econômica, mas, dadas as circunstâncias, o Comandante considerou que seria escandaloso alguém ser obrigado a sentar ao lado de uma pessoa tão execrável.

       E, dirigindo-se cordialmente ao negro, a aeromoça completou: — Portanto Senhor, se for de sua vontade, por gentileza, pegue seus pertences que o assento da primeira classe está à sua disposição. A BRITISH AIRWAYS lamenta este inabitual e desagradável incidente.

       Todos os passageiros ao redor que, entre chocados e envergonhados, acompanhavam a cena, levantaram-se e, unânime e calorosamente, aplaudiram a equipe de bordo.

 

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CONTINUANDO...

 

        O que deve estar em causa permanentemente é a possibilidade intransferível e insubstituível de cada um de nós, primeiro melhorarmos a nós próprios, e, segundo contribuirmos para o bem comum, empenhando-nos para melhorar as condições adversas pelas quais o nosso Planeta está contemporaneamente passando e sofrendo. (Dores de um parto anunciado?) Em todos os sentidos. Isto não admite exceção! E, o primeiro passo é a HUMILDADE. Em uma louvação à primeira Grande Mestre da Ordem Rosacruz-AMORC — Maria Aparecida de Moura — que fiz há algum tempo atrás ponderei:

 

Do que tudo, muito mais
Prevejo com exaltação:
AMORC, CR+C e demais
Serão (são) um só CORAÇÃO.

 

          Então, como somos todos adultos, com sede e fome de D'US, de LLUZ, de BEM, de VERDADE, do BELO KÓSMICO e de PAZ PROFUNDA, acho que as imagens que se seguirão, inevitavelmente repugnantes e escandalizadoras, só podem ter um sentido: precisamos orar, trabalhar e lutar com todas as nossas forças espirituais para que essas misérias possam ser amenizadas e dissolvidas dentro do misticamente possível. Mais: precisamos esquecer e tentar compreender nossas diferenças, principalMENTE místico-esotéricas ou religiosas. Tenho sofrido muito com certas coisas que tenho, aqui no meu canto, ouvido falar que andam ocorrendo no âmbito do misticismo mundial. Pegar carona nessa estupidez e nessa descortesia é alimentar a ------ ------. Prestem todos atenção! Eu digo: BENDITA AMORC. Mas, igualmente digo: BENDITAS OS+B, OM, CR+C, OSTI, FRA, G.'.D.'., F.L.O., MAÇONARIA, TEOSOFIA, ANTROPOSOFIA... BENDITAS TODAS... BENDITAS TODAS AS RELIGIÕES que estão cumprindo os papéis e os encargos que lhes foram atribuídos. A 2ª Via é tão importante quanto a 1ª Via. Se há desvios e distorções em ambas as Vias, eu jamais serei o juiz dos embusteiros. Enfim, BENDITO o LATINO PORTAL da OS+B — propagador democrático e ilimitado da LLUZ MAIOR. Bem-aventurados os que servem silentemente em prol da difusão da LLUZ onde quer que estejam servindo.

        Não importa, portanto, quem seja o quê ou quem. Para começar, convido a todos a fazerem comigo a ORAÇÃO ROSACRUZ DA PAZ UNIVERSAL. Basta desejar servir por dois ou três minutos e clicar no título citado. Dois ou três minutos de verdadeiro empenho místico-emocional são uma ETERNIDADE. São uma ETERNIDADE, meus queridos Irmãos. Depois, separar e dedicar uma parte do dia para qualquer forma de voluntariado. Um simples obrigado e um singelo por favor também fazem milagres! O mundo não mudará jamais no tiro ou na porrada. Também só se auferem rancor e maledicência por ausência de demonstração de carinho e de consideração. O que custa dar eventualmente um dinheirinho a um garoto que vende balas nos sinais? Eu sempre dou e converso com todos eles. Pergunto se estão estudando e lhes digo que a única forma de sair da miséria é pelo estudo. Eles ouvem, gostam e dizem sempre: — Obrigado Tio.

        Adotarei, para concluir, a seguinte estratégia pedagógica: mostrarei uma fotografia digital que evocará nossos melhores sentimentos; em seguida, apresentarei outra que nos horrorizará. Precisamos, mais do que tomar consciência do que está ocorrendo mundo afora — o mundo que está lá longe, mas nem tanto — aplicar o máximo de nossas energias para contrabalançar todas essas desarmonias. Irmanemo-nos, então, Caros Fratres, nessa tarefa que é de todos nós. Mas, tenhamos sempre em mente o ensinamento de Mestre Apis: Se o enunciado de uma verdade causar dor a alguém, que não se diga, então, essa verdade, pois o que mais ofende a Deus é fazer sofrer o próximo. Este próximo inclui minerais, vegetais e animais! A ROSA ETERNA está em TUDO e em TODOS! Por isso, para que a Alquimia Interna possa acontecer: ORA ET LABORA; SOLVE ET COAGULA! O SERVIÇO, enfim e realmente, deve ser duplo: em SILÊNCIO e por meio de AÇÕES CONCRETAS, EFETIVAS E CONCERTADAS. Um mundo melhor começa aqui, agora, na presente encarnação. Somos todos responsáveis. Façamos nossa parte. E tenhamos a dignidade e a lucidez de não esperar qualquer recompensa por nossas supostas boas ações. Praticar uma boa ação (louvada seja!) esperando um troquinho do céu é magia negra. Escandalizem-se com esta afirmação os ignorantes. Entendam os que puderem entender. Benditos aqueles que sabem que é assim. Benditos aqueles que, não sabendo que assim é, examinarão estas últimas ponderações com isenção e exação. Benditos todos os entes do Universo.

 

HUMILDADE

COMPREENSÃO

MISERICÓRDIA

TOLERÂNCIA

AÇÃO DIRETA

VOLUNTARIADO

DISPONIBILIDADE

FIAT PAX IN VIRTUTE TUA

AUM RAH

 

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       De um e-mail que recebi (modifiquei um pouquinho):

 

A felicidade não é a ausência de conflito. É a habilidade (arte) de lidar com ele. Uma pessoa feliz não tem o melhor de  tudo. Ela se esforça diuturnamente  para  tornar  tudo um pouco melhor.

 

PAZ PROFUNDA

 

Fiat nobis secvndum Verbvm Tvvm

 

O Santuário do Infinito está em todos os CORAÇÕES

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. CUNHA SEIXAS, José Maria da. Estudos de litteratura e de philosophia segundo o systema pantitheista. Lisboa: Typographia da Bibliotheca Universal, 1884, p. XXII.

2. KANT, Immanuel. Crítica da razão pura/Kritic der reinen vernunft. 3a. ed Tradução de Manuela Pinto dos Santos e Alexandre Fradique Morujão. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1994, passim.

3. CUNHA SEIXAS, José Maria da. Galeria de sciencias contemporaneas. Porto: Imprensa Commercial de Santos Corrêa & Mathias, 1879, passim.

4. Esta Lei, Cunha Seixas apresentou-a pela primeira vez em Princípios Gerais de Filosofia da História, quando esboçou o Sistema Pantiteísta, que ainda não tinha tal designação. Na verdade, constitui-se no sustentáculo basilar de seu pensamento espiritualista. Por tê-la considerado uma Lei Universal, orientou suas lucubrações e seus estudos no sentido de adequá-los e de torná-los conformes com a aludida Lei (Ser, Manifestação e Harmonia).

5. Op. cit., pp. 155 e 156.

6. Galeria de sciencias contemporaneas, p. 156.

7. p. XXIII.

8. Galeria de sciencias contemporaneas, p. 156. Esta mesma passagem é repetida em Phantasias d’amor. Lisboa: Empreza Litteraria Luso-Brasileira Editora, 1880, p. 54. No jornal português Imparcialidade, de 4 de Março de 1883, nº 37, foi publicado um artigo elogioso ao pensamento de Cunha Seixas, no qual, também, foi integralmente reproduzida esta reflexão.

9. Id., p. 169.

10. O pensador português contemporâneo, com quem tive o prazer de dialogar diversas vezes, tanto no Brasil quanto em Portugal, António Braz Teixeira, assim resume as meditações do Especulativo Trevoense: Filósofo português (Trevões, 1836-Lisboa, 1895), criador de um sistema filosófico que denominou Pantiteísmo e que se apresenta como uma pessoal e original dissidência do Krausismo, tal como este era entendido por J. M. Rodrigues de Brito, cujo magistério filosófico viria a marcar, de forma decisiva, o percurso especulativo dos dois mais importantes pensadores da geração portuguesa que se afirmou a partir de 1865.

Ao designar por Pantiteísmo o sistema filosófico que desenvolveu e expôs ao longo da sua obra especulativa (A Fénix ou a Imortalidade da Alma Humana, 1870; Princípios Gerais de Filosofia da História, 1878; Galeria das Ciências Contemporâneas, 1879; Ensaios de Crítica Filosófica, 1883; Estudos de Filosofia e Literatura, 1884; Lucubrações Históricas, 1885; Elementos de Moral, 1886; Princípios Gerais de Filosofia, 1898), Cunha Seixas procurou tornar claro que a respectiva matriz era a intuição primordial de que Deus está em tudo, como centro de todas as coisas e nelas manifestado.

Para o pensamento pantiteísta, o ponto de partida do conhecimento era duplo: subjectivamente, seria o pensamento, enquanto, objectivamente, se encontraria na idéia de ser. Na verdade, sendo sempre o conhecimento um acto do espírito que pensa, o respectivo ponto de partida não poderia ser o sentimento nem a vontade, que são apenas excitantes ou motores do conhecimento, mas o pensamento. Por outro lado, porque o conhecimento não pode deixar de partir de algo que seja imediato, possível, certo e intuitivamente evidente que lhe dê um mínimo de garantia, e porque tais atributos só se encontram nas idéias e nas leis da razão e nos axiomas que decorrem delas, todo o conhecimento se funda, necessariamente, na crença no próprio espírito.

Como todo o pensamento e todo o juízo se reportam ou envolvem sempre a idéia de ser, ela será o ponto de partida objectivo do conhecimento.

De acordo com a filosofia pantiteísta, o conhecimento exprime-se num juízo, na afirmação, ainda que implícita, de uma relação, a qual obedece a três leis — a da substância, a da manifestação e da harmonia — e em cujo processo cabe distinguir três momentos. No primeiro, imperam as idéias experimentais, particulares e contingentes, referidas a um objecto da natureza, enquanto, no segundo, dominam as idéias reflexivas, de carácter geral e abstracto, e, no terceiro, tudo se processa já no plano das idéias racionais ou ontológicas, inatas ao próprio espírito, universais, absolutas, necessárias e invariáveis.

É a circunstância de as idéias desta terceira espécie serem tanto leis do espírito como elementos dos seres, havendo, por isso, correspondência ou equivalência entre as categorias da razão e as categorias do ser, que torna possível o conhecimento e faz com que a ontologia seja, a um tempo, ciência do ser nas suas determinações mais gerais e ciência das idéias — elementos na sua maior extensão e profundidade, com abstracção de qualquer ente individual.

Esta dupla natureza das idéias racionais explica que seja também por meio de um processo trágico de ser, manifestação e harmonia que a ordem ontológica se desenvolve e se concretiza, e a finalidade de cada ser se coordena, dinamicamente, com a dos demais seres, contribuindo todos e cada um deles para a realização dos mais altos destinos do Universo. Cada ente é, assim, algo individualizado, dotado de finalidade própria, constituindo um infinito relativo que, no seu movimento próprio, se manifesta, relacionando-se com todos os outros do mesmo género e, através deles, com a ordem mais global do ser. (Negrito meu).

A idéia de ordem, associada à idéia dos seres como infinitos relativos, conduz o nosso espírito à noção de um ser perfeito e absoluto, que tenha em si o seu próprio fim e que, na sua unidade e simplicidade, seja causa e ordenador dos restantes seres. Dado que, no entanto, o finito não pode existir sem a sua causa geradora e como o infinito é também a eternidade e a imensidade, Deus está em tudo, conferindo a todos os infinitos relativos a sua realidade e subsistência, sendo, porém, deles perfeitamente distinto, pois o eterno e imenso não pode confundir-se com o transitório e o limitado. Daí que, apesar de nos movermos, sermos e vivermos em Deus, participando da sua realidade, com Ele não nos confundamos nunca. (Negritos meus).

Sendo embora abscôndito na sua natureza e, como tal, inacessível a toda a explicação ou demonstração, Deus manifesta-se no Universo e patenteia-se intuitivamente à razão, como inteligência suprema, lugar e fonte de verdade e de vida e sede do infinito e do absoluto. Deste modo, Deus não é inteiramente incognoscível, sabendo nós dele, através da sua manifestação, que é absoluto, omnipotente e perfeito, imutável e uno, infinito, eterno, omnisciente e omnipresente, sendo seus atributos supernos a verdade, a bondade e a beleza.

        Observação: Como místico, não posso concordar com alguns trechos desta análise, como também não me alinho integralmente ao pensamento de Cunha Seixas, autor de quem, por obrigação acadêmica, mas com muito gosto, tive que examinar atentamente toda a obra disponível — dezesseis de um total de dezessete livros — para poder elaborar minha tese de doutorado: A Doutrina Pantiteísta Segundo José Maria da Cunha Seixas.

        Disse Fernando Pessoa em A Morte é a Curva da Estrada: A mentira não tem ninho./Nunca ninguém se perdeu./Tudo é verdade e caminho. Então, mais uma vez: que interessa se concordo ou se discordo de António, de Seixas ou de Bernard? Nada. Nada, porque o Universo não se altera um mikron com as opiniões de ninguém. A Consciência Cósmica simplesmente é. Nos também somos, só que não sabemos que somos, e, maiormente, quem somos. Saberemos. Seremos. Todos. Sem exceção. No inexistente tempo que é e não é tempo. Charles Spencer Chaplin — Carlitos — (*16 abril 1889, East Lane, Walworth, Londres - Inglaterra - 25 dezembro 1977, Corsier-sur-Vevey - Suíça), que não conheceu Cunha Seixas, disse: A beleza é a única coisa preciosa na vida. É difícil encontrá-la. Mas quem consegue, descobre tudo. Disse também: O homem não morre quando deixa de viver, mas sim quando deixa de amar.

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