MAGNIFICA HUMANITAS
(Magnífica Humanidade)
Parte II

 

 

Não podemos negar ou minimizar o atraso com que a Igreja
e a sociedade condenaram o flagelo da escravatura. Trata-se
de uma ferida na memória cristã, e, em nome da Igreja, peço
sinceramente perdão.
[In: Magnifica Humanitas, Papa Leão XIV.]

 

 

Rodolfo Domenico Pizzinga

 

 

Introdução e Objetivo do Estudo

 

 

Inteligência artificial (abreviado IA) genericamente é a inteligência, o raciocínio e o aprendizado exibidos por máquinas semelhante ao raciocínio humano. A IA busca desenvolver máquinas autônomas ou sistemas especializados capazes de simular o pensamento humano e realizar várias tarefas complexas de forma independente. É o sistema que permite aos computadores executar funções avançadas, como a capacidade de analisar dados em grande escala e fazer previsões/recomendações. É um campo de pesquisa em ciência da computação que desenvolve e estuda métodos e softwares que permitem que as máquinas percebam seu ambiente e usem o aprendizado e a inteligência para tomar ações que maximizem suas chances de atingir objetivos definidos preestabelecidos.

Um ano após assumir o comando da Igreja Católica, o Papa Leão XIV divulgou na manhã da última segunda-feira (25 de maio de 2026) o documento Magnifica Humanitas — Magnífica Humanidade, na tradução do latim para o português — a primeira encíclica do seu pontificado. O texto é sobre como salvaguardar a pessoa humana na era da inteligência artificial. Nesta sua primeira encíclica, o Papa Leão XIV aborda a inteligência artificial como o novo centro de gravidade ética e social da Humanidade, atuando como um contraponto à antiga encíclica Rerum Novarum, (em português, Das Coisas Novas), escrita pelo Papa Leão XIII, em 15 de maio de 1891, que tratou da Revolução Industrial, e que, se constitui de um marco na evolução do Magistério Social. O documento coloca no centro da sua reflexão a dignidade do trabalho e do trabalhador, afirma o direito a um salário justo para ele e sua família, reconhece nas pessoas um valor essencial e prioritário, em relação ao capital e ao lucro, defende a propriedade privada, com a sua imprescindível função social, valoriza as associações de trabalhadores e, como alternativa à lógica da “luta de classes”, propõe formas de colaboração entre os diversos componentes da sociedade. Enfim, como comentou o jornalista Gerson Camarotti, em um recente programa do GloboNews Em Pauta, se a Rerum Novarum estabeleceu a Doutrina Social da Igreja (um corpus orgânico de ensinamentos sociais uma doutrina viva que, permanecendo fiel ao Evangelho, cresce no confronto com as “coisas novas” de cada época como a ela se referiu o Papa Leão XIV), agora, em 2026, a Magnifica Humanitas torna efetiva a Doutrina Digital da Igreja. Em um trecho do Documento, está escrito: Na era da inteligência artificial, em que a dignidade humana corre o risco de ser ofuscada por novas formas de desumanização, temos o dever urgente de permanecer profundamente humanos, salvaguardando com amor a nossa Magnífica Humanidade, que nos foi plenamente dada e manifestada em Cristo, e que jamais alguma máquina poderá substituir no seu esplendor. O verdadeiro progresso nascerá sempre de um Coração aberto ao outro, de uma inteligência disponível para ouvir, de uma vontade que procura mais o que une do que o que separa. [Eu diria: que procura apenas o que une e jamais o que separa.]

 

 

 

 

Este estudo é a segunda e última parte de uma coletânea de fragmentos selecionados desta Encíclica, eventualmente editados e comentados, que ofereço para reflexão de todos. Enfim, como advertiu o Papa Leão XIV, se nos limitarmos às contingências, corremos o risco de deixar que uma série de emergências decida, em nosso lugar, a direção do caminho. Estamos a viver uma rápida fase de transição, uma “mudança de época”, em que, enquanto alguns disputam o futuro das novas tecnologias e outros se dedicam à reflexão sobre elas, a maioria das pessoas permanece a aguardar, observando de longe, simplesmente esperando que tudo corra bem. Exatamente por isto, se impõem à nossa consciência questões decisivas, que não podem já ser evitadas. Para onde estamos indo? Para que meta desejamos nos orientar? Que direção devemos escolher, enquanto comunidade humana e enquanto povos?

 

 

Fragmentos da Encíclica Magnifica Humanitas

 

 

(No Único Somos Um)

 

 

 

A solidariedade implica estilos de vida sóbrios e partilhados, capacidade de renunciar a vantagens imediatas para abrir espaços de futuro aos demais, disponibilidade para pôr em questão hábitos, apegos e privilégios incluindo os ligados ao consumo digital e ao uso das novas tecnologias da informação quando impedem os outros de viver com dignidade. [Isto pode ser traduzido em duas palavras: desapego libertador (mão e contramão).]

 

 

O Papa Bento XVI recordou com veemência a relação entre desenvolvimento, justiça e responsabilidade, face às gerações futuras, salientando que o desenvolvimento autêntico exige uma solidariedade intergeracional e uma atenção aos vínculos que nos unem ao ambiente natural. Hoje, esta responsabilidade se estende às infra-estruturas digitais e informativas. Como o ambiente natural, também o “ecossistema digital” pode ser preservado ou explorado, partilhado ou monopolizado. A solidariedade exige que as escolhas em matéria de dados, algoritmos, plataformas e inteligência artificial tenham em conta não só a vantagem imediata de alguns, mas, também, a repercussão sobre o conjunto dos povos e sobre as gerações futuras.

 

Tecnologia da Informação (TI)

 

A justiça nasce e se concretiza na fraternidade.

A justiça social é caracterizada por uma ordem social, econômica e política capaz de permitir a todos, em particular aos mais fracos, uma vida verdadeiramente humana, sem que ninguém fique para trás [ou, preconceituosamente, seja excluído].

Cultura do descartável: causadora de novas [e crescentes] formas de exclusão. Nesta perspectiva, a justiça social exige que se olhe para indivíduos e povos a partir dos mais vulneráveis: sem-teto, sem-trabalho, sem-bulhufas, pobres, migrantes, refugiados, deslocados internos, vítimas de violência, pessoas que vivem nas periferias urbanas ou existenciais.

 

Lixo: Cultura do Descartável

 

A justiça social não diz respeito só a uma distribuição mais equitativa dos bens ou a correção das injustiças atuais, mas, deve assumir uma dimensão reparadora. Ela visa recompor relações destruídas e reintegrar quem foi excluído, tendo em conta as feridas deixadas pelas guerras, pelo colonialismo, pelas discriminações raciais ou de gênero, pelos variados tipos de preconceito, pelas violências [criminosas] contra povos inteiros [como são os casos contemporâneos, por exemplo, dos tibetanos, dos ucranianos, dos palestinos gazenses, dos iranianos, dos libaneses, dos cubanos e dos venezuelanos] e pelas diversas formas de abuso e de exploração, [particularmente, a sexual].

 

O Sombrio Mundo dos Abusadores Religiosos

 

Uma ordem social justa nesta nossa era digital é aquela que garante a todos um acesso equitativo às oportunidades, protege os pequenos e os mais frágeis, combate o ódio e a desinformação [ news], submete a utilização dos dados e das tecnologias à inspeção pública, de modo que o critério não seja apenas o lucro, mas, principalmente, a dignidade de cada pessoa e o bem-estar dos povos.

Um teste decisivo para a justiça social é hoje representado pela condição dos migrantes, dos refugiados e dos que são obrigados a se deslocar, devido à pobreza, à violência, às alterações climáticas e às catástrofes ambientais. Precisamos reconhecer os migrantes como pessoas com dignidade e sonhos, que têm direito a ser tratados com respeito, e que pedem apenas a possibilidade de ser parte ativa das sociedades que os acolhem. Precisamos compreender e reconhecer que as migrações poderão se tornar uma oportunidade de encontro e de enriquecimento mútuo entre povos.

 

 

 

Nossos Irmãos Refugiados e Migrantes

 

Os grandes e insubstituíveis princípios da convivência humana fraterna e do desenvolvimento humano integral são: dignidade, bem comum, destinação unimultiversal dos bens, subsidiariedade, solidariedade e justiça social.

Não é humano – [ao contrário, é demoníaco] – um desenvolvimento que aumenta o consumo de alguns, impondo custos e feridas a outros, ou que relega regiões inteiras a um papel subordinado, impedindo-as de manifestar o seu potencial. O desenvolvimento só poderá se tornar integral quando não se reduz ao âmbito econômico, mas, promove a qualidade da vida nas suas dimensões espirituais, culturais, morais e relacionais, no respeito pela Casa Comum, pela diversidade dos povos e pelos seus modos de viver. Não é verdadeiro progresso o que aumenta o bem-estar de alguns degradando os ecossistemas, descarregando custos nas comunidades mais vulneráveis ou prejudicando as condições de vida de quem virá depois de nós. O desenvolvimento humano integral constitui o horizonte a partir do qual devemos interpretar as transformações do nosso tempo, incluindo as da revolução digital.

 

 

As inovações tecnológicas entre elas a inteligência artificial não são neutras: podem aumentar a participação e a justiça, ou, pelo contrário, agravar desigualdades, controle e exclusão. Por isto, devem ser avaliadas a partir de uma pergunta decisiva: contribuem realmente para que as pessoas e os povos cresçam em humanidade e fraternidade, no respeito pela Casa Comum e pelas gerações futuras?

 

 

Precisamos compreender que nós-humanidade somos um só corpo e um só espírito, um só coração e uma só [personalidade-]alma. [O nome disto é Unimultiplicidade Unimultiversal. Só nos libertaremos (de nós mesmos) quando a Unicidade Unimultiversal se tornar uma certeza realizada in Corde.]

A escuta das vítimas de abusos espirituais, econômicos, institucionais, sexuais, de poder e de consciência é parte integrante de um caminho de justiça, que inclui o reconhecimento do dano causado, a justa reparação e a prevenção.

Co-responsabilidade + Fraternidade = Bem de Todos.

O poder das infra-estruturas digitais e dos algoritmos só tem cabimento efetivo se favorecer realmente a participação e a responsabilidade, proteger os mais frágeis, assegurar um acesso equitativo às oportunidades e permanecer orientado para o bem de todos. [Do contrário, criará um Hades retrogressivo na Terra!]

 

Hades Retrogressivo na Terra
(Animação Simbólico-pictórica)

 

Sempre a inteligência humana, com a sua consciência e liberdade, deverá orientar as inovações técnicas e estabelecer com responsabilidade o seu uso e os seus limites. Portanto, se manifesta urgentemente um duplo compromisso: por um lado, um aprofundamento da investigação científica; por outro, um exercício de discernimento moral e espiritual no uso da inteligência artificial.

Na utilização pessoal da inteligência artificial, devem ser devidamente considerados, em particular, três aspectos: a facilidade de obter os resultados, a aparência de objetividade e a simulação da comunicação humana.

É essencial desenvolver soluções tecnológicas mais sustentáveis para reduzir o impacto ambiental da inteligência artificial e cuidar da nossa Casa Comum.

Os sistemas automatizados desconhecem a compaixão, a misericórdia, o perdão e, sobretudo, a abertura à esperança de mudança da pessoa, podendo, assim, gerar novas formas de marginalização. Por outro lado, podem existir usos manifestamente anti-humanos, como a manipulação da informação ou a violação da privacidade, mas, pode também haver uma ameaça menos evidente, quando os sistemas de IA, se apresentando como neutros e objetivos, refletem e reforçam estereótipos ou posições ideológicas daqueles que os projetaram e treinaram.

Não podemos considerar a IA moralmente neutra. Na realidade, todo o artefato técnico traz consigo escolhas e prioridades: o que mede, o que ignora, o que otimiza e a forma como classifica pessoas e situações. Se um sistema for concebido ou utilizado de modo a tratar certas vidas como menos dignas ou as excluir sem possibilidade de apelo, não se trata de um mero instrumento a ser utilizado: introduz já um critério que contradiz a dignidade inalienável da pessoa. Por isso, o discernimento ético não pode se limitar a perguntar se utilizamos um determinado sistema para um fim bom ou mau, mas, se deve também questionar sobre a forma como foi projetado e que idéia de pessoa e sociedade está inscrita nos dados e nos modelos que o orientam. Enfim, para que a IA respeite a dignidade humana e sirva verdadeiramente o Bem Comum, é essencial que as responsabilidades sejam claras em todas as etapas: desde quem concebe e treina os sistemas a quem os utiliza e decide lhes confiar as escolhas concretas.

 

 

Em muitos casos, contudo, os processos internos que conduzem a um resultado podem ser pouco transparentes – [como, por exemplo, o da animação acima] – o que torna mais difícil atribuir responsabilidades e corrigir erros. É aqui que se torna decisivo o que se denomina 'accountability' [responsabilidade]: a possibilidade de identificar quem deve “prestar contas” das decisões, motivá-las, controlá-las e, quando necessário, contestá-las, reparando os eventuais danos daí decorrentes.

Precisamos ter a coragem de impor a possibilidade de discutir um código ético a ser utilizado, submetendo-o a critérios de justiça social partilhada. Caso contrário, quem controla a IA imporá a própria visão moral, que se tornará a infra-estrutura invisível dos sistemas.

 

Justiça Social: Um Objetivo Mundial

 

É indispensável que a utilização da IA sobretudo quando envolve bens públicos e direitos fundamentais seja acompanhada por critérios claros e controles efetivos, inspirados na participação e na subsidiariedade. As comunidades e os organismos intermédios não podem ser reduzidos a destinatários de decisões que não foram tomadas por eles mesmos, mas, devem poder contribuir para o discernimento e a vigilância. Além disso, a propriedade dos dados não pode ser confiada apenas a particulares, mas, deve ser regulamentada. Estes são fruto da contribuição de muitos e não podem ser vendidos ou confiados a poucos. É necessária uma criatividade capaz de os gerir como um dos bens comuns ou coletivos, em uma lógica de partilha, tal como já sugeria São João Paulo II, a propósito dos bens coletivos.

Em um mundo em que poucos sujeitos concentram dados, capital computacional e capacidade normativa, falar de bem comum significa desmascarar esta nova assimetria epistêmica, econômica e política, dando nome aos novos monopólios da IA. Falar de destinação uni[multi]versal dos bens significa encontrar formas de garantir o acesso uni[multi]versal às tecnologias e à formação. Falar de subsidiariedade é pedir que se proteja a capacidade das comunidades escolherem e corrigirem, sem relegar a sua intervenção a uma mera vigilância, depois de as normas terem sido definidas em outro local. Falar de solidariedade obriga a reconhecer o trabalho invisível, freqüentemente explorado, que alimenta os modelos algorítmicos. Falar de justiça impõe questionar as geografias do poder que definem quem pode treinar os modelos e quem é apenas objeto de treino, e reconhecer que a justiça social não é apenas um objetivo a proteger após a adoção das tecnologias, mas, uma condição prévia, a ser posta em prática no seu próprio projeto.

A IA precisa ser desarmada. Desarmar a IA significa subtraí-la à lógica da competição armada, que hoje não é apenas militar, mas, também, econômica e cognitiva. Trata-se da corrida ao algoritmo mais eficaz e ao banco de dados mais vasto, com o objetivo de consolidar uma vantagem geopolítica ou comercial sobre todos os outros. Desarmar significa quebrar esta equivalência entre poder técnico e direito de governar. Enfim, a tarefa, hoje, não é apenas ética ou técnica: é ecológica no sentido mais radical, porque envolve uma nova dimensão da nossa Casa Comum. A IA é o ambiente em que estamos imersos e o poder com que temos de lidar. Por isso, não basta regulá-la: ela deve ser desarmada e tornada acolhedora.

 


Drone

 

Absolutizar uma única dimensão do ser humano é sempre errado. Portanto, se o poder técnico não for equilibrado, não nos tornará mais capazes: nos tornará mais sós e mais expostos a lógicas de domínio e de exclusão.

As conquistas científicas e técnicas, desvinculadas do progresso moral e social, poderão se voltar contra o homem. Por isto, é necessário distinguir com clareza: uma coisa é integrar as tecnologias em uma visão humana e relacional, outra é se deixar guiar por um imaginário que desvaloriza os limites e promete uma “salvação” puramente técnica, o que vem acontecendo com o transumanismo e o pós-humanismo.

A injustiça, [a crueldade e a separatividade] sempre serão escândalos desumanos. Por outro lado, a cultura e a arte, quando autênticas, conservam a centelha que impede a normalização do mal. Assim, algumas obras assumiram um valor quase profético: a Nona Sinfonia, de Beethoven, enquanto desejo de unidade, o quadro Guernica, de Pablo Picasso, enquanto denúncia da desumanização e o filme A Lista de Schindler, que nos convida a não deixar o passado cair no esquecimento. [Não alcançaremos o Vale da Bem-aventurança, se não fecharmos com força os nossos sentidos contra a terrível Grande Heresia da Separatividade, que nos afsta dos demais.]

O Bem [o Svmmvm Bonvm] não acontece automaticamente, mas, requer perseverança, memória e uma conversão que nos permite recomeçar, mesmo após as derrotas. E, sempre, permitir o crescimento da técnica, sem deixar regredir o Coração.

 

Custe o que custar,
doa o quanto doer,
peregrinar sempre.
C
uste o que custar,
doa o quanto doer,
recomeçar sempre.
Custe o que custar,
doa o quanto doer,
não desistir jamais.
Custe o que custar,
doa o quanto doer,

O que Salva [Illumina] o ser humano não é [apenas] a sua auto-suficiência aperfeiçoada, mas, uma Relação [com o Deus do seu Coração] que Liberta, uma Comunhão [Unimultiversal] que Transforma. Para um algoritmo, o erro é algo a corrigir; para uma pessoa, pode ser o início de uma mudança profunda.

Nesta Era de IA, o que construiremos? Babel ou Jerusalém? A resposta está em cada um de nós. Seja como for, neste século XXI, a transformação digital exige de todos nós a redescoberta da Verdade [mesmo que não seja definitiva] como Bem Comum, a tutela da dignidade do trabalho e a salvaguarda da Liberdade, contra todas as formas de dependência, de escravidão e de mercantilização.

 

Compra laranja, laranja, laranja, doutor,
que eu dou uma de quebra pro senhor!

Compra minha água desconsagrada, doutor,
que eu dou um litro de quebra pro senhor!

Compra meu feijão mágico, doutor,
que eu dou um quilo de quebra pro senhor!

Compra minha glossolalia fajuta, doutor,
que eu faço uma profecia de quebra pro senhor!

Compra meu milagre falsificado, doutor,
que eu arrumo uma cura de quebra pro senhor!

 

Só a busca partilhada da verdade factual, assumida como Bem Comum, poderá dar origem a uma correta comunicação.

Precisamos estar atentos e ter muito cuidado, pois, em todos nós, há uma uma semente maligna, difícil de reconhecer: o homem contemporâneo está convencido, erroneamente, de que é o único autor de si mesmo, da sua vida e da sociedade. Trata-se de uma presunção, resultante do encerramento egoísta em si mesmo. [Todos nós estamos nos outros e todos os outros estão em todos nós. Enquanto não realizarmos e reconhecermos a existência indissolvível de um Entrelaçamento Quântico Cordial Unimultiversal, no qual e por causa do qual tudo/todos estão indelevelmente interconectados e amalgamados, continuaremos, inevitável e samsaricamnte, nascendo, vivendo e morrendo, sem Só nos Libertaremos (de nós mesmos) através da Illuminação Interior, que apenas poderá advir da Iniciação.]

 

Roda do Samsara
[Nascimento, velhice, decrepitude e morte, no qual, sem exceção, todos os seres
no Unimultiverso participam, e da qual só se pode escapar através da Iniciação.]

 

 

 

O Papa Francisco questionou de forma realista: o que são a lei [a ordem e o progresso] sem a convicção, alcançada através de um longo processo de reflexão e de sabedoria, de que cada ser humano é sagrado [divino] e inviolável? Para que uma sociedade possa ter futuro, é preciso que tenha maturado um vivo respeito pela verdade da dignidade humana, à qual todos nós devemos nos submeter. Então, nos absteremos de matar alguém, não apenas para evitar o desprezo social e o peso da lei, mas, por Convicção [Espiritual Interior Iniciática]. Será uma verdade irrenunciável que reconheceremos com a [TRANS]razão e que aceitaremos com a Consciência – [com o Coração]. Uma sociedade só poderá ser nobre e respeitável, se cultivar a busca da verdade [ainda que ela só possa ser alcançada e compreendida por nós de forma relativa] e pela [TRANS]compreensão [também relativa] das verdades fundamentais [do Unimultiverso].

 

Animação Simbólica

 

A Busca da Verdade é um elemento essencial para a Democracia, que é, ela própria, um instrumento de participação no Bem Comum. [Essencialmente, o Bem Comum é .] O desinteresse pela verdade leva, lenta, mas, inexoravelmente, a deslizar para o totalitarismo, segundo o qual o súdito ideal [o escravo], como escreveu a filósofa Hannah Arendt (Linden, Alemanha, 14 de outubro de 1906 Nova Iorque, Estados Unidos, 4 de dezembro de 1975), não é tanto aquele ideologicamente convencido, mas, aquele para quem já não existe a diferença entre o fato e a ficção (isto é, a realidade da experiência), nem a diferença entre verdadeiro e falso (que constituem os critérios do pensamento). [Mas, precisamos ter cuidado e estar atentos para não resvalar para o Maniqueísmo – uma filosofia religiosa sincrética e dualística fundada e propagada por Manes [(Maniqueu), Ctesifonte, Império Parta, 14 de abril de 216 – Bendosabora, Império Sassânida, 2 de março de 274] nem para o Sic et Non, Sim e Não – escrito por Pedro Abelardo (Le Pallet, próximo de Nantes, Bretanha, 1079 – Saint-Marcel (Saône-et-Loire), região da Borgonha-Franco-Condado, 21 de abril de 1142. O pensamento absoluto (tudo ou nada) é um perigo incomparável. Todos os totalitarismos, todos os autoritarismos, todas as tiranias, todas as intolerâncias, todos os preconceitos, todas as injustiças, e todos os anti-o-que-quer-que-sejam-que-não-sejam-iguais-a-mim nasceram e continuam a nascer desta semente putrefata. Três exemplos são suficientes para confirmar esta putrefação: do Senhor .)

 

 

 

 

A cultura que é gerada na rede não deve se tornar um instrumento de distração excessiva, de homogeneização e de domínio, mas, um espaço onde possam amadurecer a liberdade interior e o pensamento crítico.

 

 

Por tudo o que foi discutido até aqui, importa, pois, promover uma ecologia da comunicação. Quanto às regras públicas, isto significa estabelecer normas que tornem mais transparentes as lógicas de seleção e amplificação dos conteúdos, e que protejam os dados pessoais. Quanto ao âmbito social e cultural, implica o reforço dos organismos intermédios, um jornalismo sério e espaços de debate, nos quais prevaleçam a argumentação e a averiguação, em vez de reações impulsivas. Quanto à escola e à família, o amadurecer da exigência de uma nova consciência educativa e o formar para a utilização correta e crítica das ferramentas digitais, da IA e das plataformas de compra e investimento. E quanto à universidade, o grande desafio da integração dos saberes, preparando tanto a capacidade de relacionar e fundir os conhecimentos para interpretar a complexidade, como as técnicas para averiguar os acontecimentos.

 

 

Toda tecnologia educa quem a utiliza. Educar para ouso da IA implica, portanto, educar para decidir quando e em que situações não a utilizar. Todavia, uma coisa é certa: como escreveu Platão, as coisas mais profundas e importantes só se aprendem depois de muito tempo e esforço. [E esse muito tempo poderá demorar milênios!] O grande perigo da IA é tornar o pensamento humano inútil, precisamente quando é mais necessário.

PrecNo que concerne à educação, há um crescente desafio intelectual e sapiencial. Neste sentido, é necessário promover uma verdadeira higiene da atenção, isto é: ritmos que prevejam silêncio, estudo aprofundado, leitura e debate ponderado. Sem estes elementos, a liberdade interior [de si mesmo] poderá ficar comprometida. É preciso que se tenha como metas educativas: 1º) educar para a sobriedade e o sentido do limite; 2º) educar para o reconhecimento do direito do outro e de quem virá depois de nós a usufruir dos bens que nos são doados ou que o engenho humano disponibiliza; 3º) educar para a liberdade e a responsabilidade; e 4º) educar para o sentido da transcendência e para o Bem Comum. A escola não é chamada a acompanhar a velocidade do mundo digital, mas, a oferecer, sim, aquilo que o digital, por si só, não consegue: tempo partilhado para aprender e relações de confiança.

Só na escuta e no diálogo aprenderemos a construir juntos algo que ninguém poderá fazer sozinho.

 

 

 

 

O objetivo fundamental da educação é dar a cada um condições para viver dignamente através do próprio trabalho.

Para evitar que a IA desqualifique os trabalhadores, é necessário, nesta nossa quarta revolução industrial, conceber sistemas centrados na pessoa e não apenas no desempenho. [As quatro revoluções industriais representam a evolução dos sistemas de produção e da sociedade. Passamos da mecanização a vapor (1ª), para a produção em massa com eletricidade (2ª), depois, para a automação e a computação (3ª), chegando à era atual da fusão entre tecnologias físicas, digitais e biológicas (4ª).]

 

As Quatro Revoluções Industriais

 

Conseqüências diretas da Quarta Revolução Industrail: redução dos custos e aumento dos lucros. Em alguns contextos, é realista se temer uma significativa e rápida contração dos postos de trabalho disponíveis, com um efeito em cadeia que afeta profundamente famílias, jovens e economias locais. Em vários setores, isto tem se traduzido em novas formas de precariedade e desigualdade, com remunerações muito elevadas para uma minoria altamente especializada e salários sempre mais reduzidos para uma grande parte da população ativa. Seja como for, é desejável que a tecnologia alivie o homem de trabalhos particularmente pesados, repetitivos ou perigosos e ofereça um apoio inteligente à atividade humana. Entretanto, o princípio geral deve continuar a ser a proteção dos postos de trabalho e o papel insubstituível da pessoa. O objetivo de maiores lucros não pode justificar escolhas que sacrifiquem sistematicamente o emprego, pois, a pessoa humana é um fim e não um meio, e a ordem econômica deve se manter subordinada à sua dignidade e ao Bem Comum. [O Bem Comum, sempre, deve vir e estar em primeiro lugar.]

 

 

Precisamos evitar uma harmonia abstrata/precária e construir formas concretas de convivência humana na transformação.

Precisamos evitar o paradoxo de um progresso material aliado a um retrocesso antropológico, pois, se isto prevalecer, as condições para uma paz social justa e estável se tornarão impossíveis.

Precisamos evitar que a IA determine e estabeleça nova organização dos mercados, impondo uma competitividade desumana que raramente se preocupa com a sustentabilidade social. Não podemos permitir que a IA gere mais pobreza e crie mais desigualdades, com uma multidão de excluídos rodeados por máquinas e sistemas automatizados que usurparam o seu lugar.

 

Tempos Modernos (em inglês: Modern Times)
Charlie Chaplin – Little Tramp (O Vagabundo)

 

Precisamos, desde logo, estabelecer critérios sociais para a inovação: em primeiro lugar, a introdução de automação e da IA deve ser acompanhada por escolhas verificáveis em matéria de proteção do emprego, requalificação e participação dos trabalhadores, para que a tecnologia se destine a libertar tempo e capacidades humanas, e não a gerar exclusão [e desemprego]. Em segundo lugar, é necessário lutar por políticas ativas que tornem acessíveis a todos a formação contínua e as transições profissionais, sem descarregar nos indivíduos o custo da adaptação às transformações. Por fim, é necessária uma responsabilidade empresarial que, entre os indicadores do sucesso, inclua a qualidade e a dignidade do trabalho. In Illo Uno Unum. Se estas condições estiverem garantidas, a inovação poderá se tornar aliada de um trabalho mais seguro, criativo e digno; se falharem, tenderão a se transformar em um acelerador de injustiças.

 

Se In Illo Uno Unum, isto não pode acontecer.
(Gráfico Simbólico)

 

A liberdade econômica não é absoluta, não é uma variável dependente apenas do lucro, e, portanto, deverá ser sempre avaliada à luz do Bem Comum e da dignidade de cada pessoa. [Lucro: para alguém ganhar (lucrar) alguém terá que perder (não ter).] Uma sociedade justa requer um Estado presente e instituições civis capazes de superar a lógica da eficiência/eficácia, orientando explicitamente recursos, criatividade e normas em favor dos mais vulneráveis. O crescimento da Humanidade deve ser inclusivo. Dignidade do trabalho, prosperidade partilhada, redução das desigualdades e salvaguarda do meio ambiente são ações que estão interligadas. A tão desejada Paz [Inverencial] só se tornará efetiva, concertada e verdadeira, se estiver ancorada em uma justiça para todos.

 

Lucro: para alguém ganhar (lucrar) alguém terá que perder (não ter).
(Animação Simbólico-pictórica)

 

Se as transformações não se regerem tendo como objetivo prioritário, já na fase de projeto, a prevenção de novas e ulteriores disparidades, o progresso tecnológico produzirá, automaticamente, desigualdades estruturais crescentes. Portanto, a Verdadeira Justiça deve passar, também, pelo acesso aos benefícios da inovação: cuidados, conhecimento, instrumentos e oportunidades para todos.

 

In Illo Uno Unum
(Entrelaçamento Quântico Unimultiversal Indissolvível)

 

A justiça diz respeito a todas as fases da atividade econômica, desde a obtenção de recursos até o financiamento, da produção ao consumo, tendo cada escolha conseqüências morais.

Nesta Era da IA e da robótica, a política tem a tarefa de orientar as dinâmicas econômico-tecnológicas para o Bem Comum, promovendo o trabalho digno, a inclusão social e uma distribuição equitativa dos benefícios da inovação. É também necessária uma cooperação internacional capaz de definir estratégias comuns, sobretudo em favor dos países e dos grupos mais vulneráveis, para promover o desenvolvimento e superar o assistencialismo – [prática de oferecer ajuda ou benefícios imediatos e temporários a indivíduos em situação de vulnerabilidade, sem resolver as causas da pobreza ou promover a emancipação]. O mundo, de fato e verdadeiramente, deve ser pensado para todos. Sem exceções. A prosperidade poderá contribuir, sim, para construir e fortalecer a Paz [Profunda e Inverencial], mas, só se for generalizada, inclusiva e sustentável.

 

Paz Profunda e Inverencial Generalizada, Inclusiva e Sustentável
(Animação Simbólica)

 

Nesta Era da IA e da robótica, em termos concretos, orientar a Economia para a dignidade significa, também, adotar alguns estáveis critérios de ação. Em primeiro lugar, a transparência e a responsabilidade: quando os dados e os algoritmos influenciam na concessão do crédito, na seleção de pessoal e no acesso a serviços ou oportunidades, é necessário que as decisões sejam compreensíveis, contestáveis e sujeitas a controle, para que a pessoa não seja reduzida a um mero perfil. Em segundo lugar, a inclusão e o acesso: os benefícios da inovação devem ser acompanhados por investimentos em competências, infra-estruturas e serviços essenciais, para que a tecnologia não aumente o fosso entre quem tem e quem não tem. Por fim, medidas de eqüidade: fiscalidade, proteções sociais e políticas industriais devem corrigir os desequilíbrios criados pela concentração de riqueza e de poder.

O que adianta celebrar sucessos tecnológicos, se a estrutura social for progressivamente afetada, como que por um vírus silencioso?

 

Vírus da IA Egoísta
(Animação Simbólica)

 

É decisivo investir em formação e requalificação acessíveis, para que a mobilidade profissional exigida pela Economia Digital não se torne uma seleção cruel entre quem consegue se atualizar e quem não consegue. A transformação tecnológica deve ser enfrentada sem destruir o que torna generativa uma sociedade: a capacidade de construir o futuro. [Penso que não seja bem construir o futuro, mas, sim, construir o hoje, o agora. O futuro é uma conseqüência do presente.]

É urgente promover uma utilização das tecnologias que reforce a liberdade interior, e isto significa educação para a sobriedade digital, proteção dos menores e combate a modelos que prosperam à custa da vulnerabilidade. De forma alguma é lícito lesar a liberdade e discriminar os mais fracos. Nesta Era Digital, a liberdade não é apenas algo interior: é também uma questão pública, que exige regras claras, transparência, possibilidades de recurso e limites ao uso de tecnologias invasivas, para que a técnica permaneça ao serviço da pessoa e não se torne uma forma de domínio das consciências.

Uma das questões morais mais prementes do nosso tempo é transformar o conhecimento partilhado em Bem Comum e não em alavanca de domínio.

Poucos sabem, mas, as novas expressões de escravatura se alimentam de cadeias econômicas e infra-estruturas digitais. É, portanto, necessário trabalhar em várias frentes: em primeiro lugar, para tornar mais rigorosa a transparência das fileiras que sustêm a indústria tecnológica e a Economia Digital, a fim de que nenhuma vantagem competitiva seja construída sobre a exploração invisível; em segundo lugar, é necessário que as empresas e os investidores adotem critérios claros de averiguação ética preventiva ('due diligence', isto é, diligência prévia), contando como prioridades a proteção dos trabalhadores, o combate ao trabalho forçado e o impacto social dos modelos de empresa baseados em dados. Além disso, as plataformas digitais devem ser chamadas a cooperar, de forma responsável, com as autoridades e a sociedade civil, para impedir que os instrumentos de comunicação, pagamento e definição de perfis se tornem canais de recrutamento e controle das vítimas. Quando estas escolhas convergirem, o ambiente digital poderá passar de um espaço predatório a um espaço de proteção, prevenção e promoção da dignidade.

Uma ordem social harmônica e concertada só será possível se a Justiça e a Caridade se entrelaçarem e se uma Civilização do Amor [expressão introduzida por Paulo VI] se tornar o princípio organizador da vida econômica, política e cultural da Humanidade. Só o Amor Social será capaz de gerar uma ordem internacional estável. [Com tristeza, não posso deixar de rapidamente comentar que, enquanto isto não acontecer e o inverso disto prevalecer, por exemplo, lamentavelmente, o Tibete continuará anexado à China, a Ucrânia, a Faixa de Gaza, a República Islâmica do Irã e a República do Líbano continuarão a ser destruídas pelo Estado de Israel e pelos Estados Unidos da América e aventureiros irresponsáveis, como o Senhor Bolsonaro et caterva, tentarão, antipatrioticamente, dar golpes de Estado e bolar operações assassinas, do tipo Punhal Verde e Amarelo.]

 

 

Este é o único critério plausível para orientar os processos tecnológicos: a IA deverá servir para edificar a família humana uni[multi]versal, com direitos e deveres partilhados, nos quais a proximidade digital se torne ocasião concreta de encontro fraterno e cuidado recíproco.

Nenhuma guerra pode ser normalizada. [Não existe guerra justa. Não existe guerra boa. Não existe narrativa simplista lógica de amigo-inimigo. Não existe violência necessária, inevitável e limpa. Não existe extrema ratio (último recurso ou última solução possível) para justificar qualquer guerra. Não existe relegar o recurso às armas a casos extremos e rigorosamente delimitados. Não existe legítima defesa para justificar uma guerra. Não existe a convicção de que a dissuasão nuclear é uma condição indispensável para a segurança. Não existe o conceito de que a Paz Porfunda e Inverencial é um um embrulho vazio. Não existe a artimanha maldita de que a guerra uma forma eficaz/eficiente de desviar a atenção dos problemas internos. Não existe o estratagema criminoso de que a guerra um instrumento de gestão das dificuldades. Guerra nunca mais!] Sem uma memória viva dos horrores da guerra, as decisões políticas correm o risco de ser tomadas com base em cálculos de força, desprovidas de uma visão das conseqüências [imediatas e] a longo prazo.

 

 

A Paz [Profunda e Inverencial] não é um intervalo precário entre conflitos.

O juízo moral não se reduz a um cálculo: implica consciência, responsabilidade pessoal e reconhecimento do outro como pessoa. Por isto, não é lícito confiar a sistemas artificiais decisões letais ou, de qualquer forma, irreversíveis. Não existe algoritmo que possa tornar a guerra moralmente aceitável. A IA não retira ao conflito a sua intrínseca desumanidade; apenas o torna mais rápido e impessoal, baixando a fasquia do recurso à violência e transformando a defesa em previsão operacional, com as vítimas reduzidas a dados.

Nada pode ser mais absurdo do que a idéia de equilíbrio armado para dissuasão. Em muitos países, também no Sul Global, o aumento das despesas militares é apresentado como a única resposta a um futuro incerto ou a ameaças pressentidas, enquanto o custo real recai sobre os mais pobres, que assistem à redução dos recursos destinados à saúde, à instrução e aos serviços sociais.

 

Fonte: https://oglobo.globo.com/mundo/potencias-nucleares-mo
dernizam-arsenais-gastos-militares-continuam-crescer-24480087

 

A Paz [Profunda e Inverencial] não é uma esperança ingênua nem apenas uma ausência de guerra: é o fruto, sempre possível, da Justiça, da Caridade e do Amor. O fato é que, hoje, a diversidade é cada vez mais vivida como uma ameaça, alimentando o desejo de posse, a vontade de domínio, a ambição hegemônica, o abuso de poder e o medo da diferença.

Devemos rejeitar o paradigma da guerra. Temos uma possibilidade real de contribuir para o Bem [para o Svmmvm Bonvm] sempre que dizemos a verdade, quando damos um conselho sábio, quando apoiamos quem precisa de conforto, quando denunciamos uma injustiça, quando damos voz a quem a não tem.

A Verdadeira Paz [Profunda e Inverencial] nasce da Justiça.

Não é justo permanecer neutro nem é suficiente não ser cúmplice. Como ensinou o Papa Francisco, devemos tocar a carne de quem sofre. Devemos olhar para os rostos, escutar as histórias, reconhecer as feridas.

A Paz [Profunda e Inverencial] só será possível se passarmos da “cultura do poder” para uma autêntica “cultura da negociação”, na qual o diálogo e as relações diplomáticas se tornem o meio habitual para enfrentar os conflitos. Rejeitemos as visões maniqueístas típicas das narrações violentas, que dividem o mundo entre bons e maus.

Nas autênticas tradições espirituais não há lugar para o ódio sacralizado.

O Princípio Evangélico da Misericórdia deve se tornar e ser o critério concreto da ação política.

 

 

Todos nós, nesta Era da Transformação Digital, não devemos ser resignados espectadores das fraturas sociais e culturais nem meros analistas de ruínas, mas, mulheres e homens que entram nos Estaleiros da História laboratórios de investigação, empresas tecnológicas, escolas, meios de comunicação, instituições e comunidades locais para reconstruir o que ruiu e proteger o que está exposto. Todos nós estamos sendo chamados a unir escuta e coragem, oração e responsabilidade, para que a cidade dos homens se torne mais habitável, mesmo quando as lógicas tecnocráticas e os interesses particulares parecem prevalecer. Este é o Caminho Crístico [Iniciático]. Ontem. Hoje. Sempre.

Acompanhar crianças e adolescentes na utilização das tecnologias como espaço de relação responsável, ajudando-os a reconhecer nelas os riscos e a escolher o que faz crescer a liberdade interior, representa, hoje, uma forma concreta de caridade e de salvaguarda da sua dignidade. Educar as novas gerações para acreditarem que a evolução das tecnologias não segue um percurso inevitável, mas, que pode ser orientada pela responsabilidade pessoal e coletiva, constitui um dos serviços mais preciosos ao Bem Comum.

Todos os seres humanos, sem exceção, estão inseridos em uma teia de relações com os outros seres vivos e com toda a criação. [TUDO + TODOS = .]

Devemos ser fiéis à Verdade, investir na Educação, cuidar das Relações, Amar a Justiça e a Paz.

Só poderemos transformar as relações a partir de dentro. [A partir do nosso Coração – a Casa do nosso Deus Interior.] Nenhum sistema de cálculo, por mais sofisticado que seja, gera um Coração que se entrega ou uma Consciência que discerne o Bem.

 

 

A pergunta-chave que todos nós devemos nos fazer é: o que significa salvaguardar a pessoa humana na Era da Inteligência Artificial?

Enfim, quanto a tudo isto, ninguém está isento de responsabilidade. [Todos nós, sem exceção – porque somos todos – somos reponsáveis pelo que está acontecendo no Tibete, na Ucrânia, na Faixa de Gaza, na República Islâmica do Irã, na República do Líbano, na República Bolivariana da Venezuela e no resto do mundo, tanto quanto fomos responsáveis, por exemplo, pelas eclosões da 1ª e da 2ª Guerras Mundiais e pelo Holocausto. Os demônios inventados não têm nada com isso, porque, simplesmente, os demônios ainda somos nós. O escritor católico, professor universitário e filólogo britânico John Ronald Reuel Tolkien (Bloemfontein, 3 de janeiro de 1892 – Bournemouth, 2 de setembro de 1973), descreveu assim a nossa responsabilidade: Não nos compete dominar todas as marés do mundo, mas, sim, fazer o que nos for possível para ajudar os anos em que estamos inseridos, erradicando o mal nos campos que conhecemos, para que quem viver depois possa ter terra limpa para lavrar. A civilização do amor não nasce de um gesto único e espetacular, mas, de uma soma de pequenas e tenazes fidelidades, que travam a desumanização. Sem pretender esgotar o tema, proponho cinco pistas de responsabilidades quotidianas e públicas: desarmar as palavras, construir a paz na justiça, assumir o olhar das vítimas, cultivar um saudável realismo e revitalizar o diálogo e o multilateralismo.]

Precisamos recolocar o ser humano no centro das nossas escolhas. Precisamos nos tornar construtores de Comunhão, não arquitetos de Babel.

A clareza [fraternidade] ilumina e a franqueza [dignidade] abre caminhos. Isto inclui: planejamento responsável, avaliações de impacto humano e social, inclusão dos mais frágeis, alfabetização digital, pesquisa e indústria orientadas para a justiça e a Paz [Profunda e Inverencial].

 

 

 

 

Música de fundo:

Non Nobis Domine
Composição: Patrick Doyle
Interpretação: City of Birmingham Symphony Orchestra; maestro: Simon Rattle

Fonte:

https://www.youtube.com/watch?v=13FrLGB_oK8

 

Páginas da Internet consultadas:

https://www.pensador.com/frase/MTM0NjI4Mg/

https://pngtree.com/free-hearts-png

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https://camilagr97.wixsite.com/culturadepaz/single-post/201
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https://www.educamaisbrasil.com.br/

 

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