Nós coletamos tudo o que aprendemos [recordamos] ao longo das nossas encarnações, e vamos deixando o que aprendemos e conhecemos para trás. Não é divertida essa separação. De fato, é dolorosa. Mas, em algum lugar, bem no fundo do nosso Coração, sabemos, muito vagamente, que, se dissermos adeus à segurança [exterior] que presumimos que temos, isto fará surgir a única segurança [interior] que jamais conheceremos do lado de fora. Enfim, a única coisa em que podemos confiar é o que temos certeza absoluta que é correto e que está certo. [Mas, como poderemos admitir e dizer que o que pensamos é absolutamente correto e que como agimos está incondicionalmente certo? Como isto é possível, se vivemos mergulhados em miragens e ilusões, em fantasias e delírios, em ficções e relambóias? Como isto é possível, se continuamos preferindo o fiat voluntas mea ao FIAT VOLUNTAS TUA? Como isto é possível, se nos recusamos a lutar o BOM COMBATE? Como isto é possível, se continuamos a ser imisericordiosos, insolidários e egoístas? Como isto é possível, se não conseguimos nos livrar da GRANDE HERESIA DA SEPARATIVIDADE?] [In: Asas Para Viver (Running from Safety: An Adventure of the Spirit), de autoria de Richard Bach.]
— Eu sempre achei que como eu pensava
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que como eu agia
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que ser um dos escolhidos e abençoados por Deus
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que ser um messias e salvador do meu país
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que o fiat voluntas mea
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.
— Eu sempre achei que não lutar o BOM COMBATE
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que a GRANDE HERESIA DA SEPARATIVIDADE
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correta.
— Eu sempre achei que ser bolsonarista
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que ser lulista
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que ser antivacinista
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que a imunidade de rebanho por infecção
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correta.— Eu sempre achei que o tratamento precoce contra a COVID-19
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que não seguir as medidas não-farmacológicas
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que ser negacionista
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.
— Eu sempre achei que ser antidemocrata
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que ser anti-republicano
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que ser a favor de uma ditadura
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.
— Eu sempre achei que querer a reedição do AI-5
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.
— Eu sempre achei que querer a volta do chumbo
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.
— Eu sempre achei que querer a volta da tortura
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.
— Eu sempre achei que querer a volta da censura
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.
— Eu sempre achei que encerrar as atividades do
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que contestar as atividades do
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que pugnar contra a
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que malocar dindim na cueca
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que fazer rachadinha
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que postar news
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que fechar o
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que vandalizar as sedes dos Três Poderes
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que propor uma minuta de projeto de estado de defesa
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.
— Eu sempre achei que desmatar a Amazônia
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que destruir os manguezais e o Pantanal
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que o garimpo ilegal
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que desrespeitar o meio ambiente
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.
— Eu sempre achei que passar a boiada e mudar as regras do jogo
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.
— Eu sempre achei que cagar e andar para os povos indígenas
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.
Índias Brasileiras
(Eu casava com todas elas!)
— Eu sempre achei que cagar e andar para os quilombolas
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.
Heroínas Negras do Brasil
(Luísa Mahin, Esperança Garcia, Antonieta de Barros, Maria Firmina Reis e Aqualtune)
— Eu sempre achei que fomentar conflitos com outras nações
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.
— Eu sempre achei que ser hostil com nações estrangeiras
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que coagir deputados e senadores
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que praticar abuso do poder
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.
Abuso de Autoridade
— Eu sempre achei que tentar subverter a ordem política e social
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que violar direitos sociais assegurados na Constituição
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que cometer crime contra a probidade administrativa
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que cometer peculato e malversar
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que proceder de modo incompatível com o decoro
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que negligenciar a conservação do patrimônio nacional
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que descumprir decisões judiciais
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que provocar animosidade nas classes armadas
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que estimular a infração de leis federais
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que contrariar e desrespeitar a Constituição
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que ser +fóbico
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que ser melanciafóbico
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.
Quem mandou ser verde por fora e vermelha por dentro?
Citrullus lanatus boa é Citrullus lanatus esmigalhada!
— Eu sempre achei que ser comunistafóbico
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que ser dignidadefóbico
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que ser equanimidadefóbico
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que ser solidariedadefóbico
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que ser misericordiafóbico
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que ser unimultifraternidadefóbico
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.— Eu sempre achei que ser igualzinho ao Mack the Knife
era irrepreensivelmente incontestável
e que estava incondicionalmente correto.
— Por tudo isso e por outras coisas,
rachei o meu país ao meio
e quase o destruí irreversivelmente.— Por tudo isso e por outras coisas,
fiz brotar o ódio e a discórdia nos Corações
e quase demoli o Estado Democrático de Direito.
— Por tudo isso e por outras coisas,
fiz prevalecer a ignorância sobre a razão
e a desventura sobre a possibilidade.— Por tudo isso e por outras coisas,
desertifiquei a confiança e a esperança
e encavernei a alegria e a tranqüilidade.— Por tudo isso e por outras coisas,
a olhos vistos, transformei o meu país
de player global a pária internacional.— Por tudo isso e por outras coisas,
por pouco não me tornei um ser-humano-aí-sem-alma,
e quase fui morar na Oitava Esfera.— Hoje – arrependidíssimo e envergonhado por tudo o que eu fiz –
sei que, um dia, terei que compensar duramente
cada desarmonia e cada crueldade que pari.— Quanto tempo terei que compensar? Não sei.
Continuarei a fazer parte da Onda Evolutiva da Terra? Não sei.
Demorarei a aprender as lições? Não sei.— Perdão! Perdão! Perdão! Por tudo!
Perdão! Perdão! Perdão! Por tudo!
Perdão! Perdão! Perdão! Por tudo!
Música de fundo:
Mack the Knife (em alemão: Die Moritat von Mackie Messer); versão inglesa de Marcus Samuel Blitzstein
Compositores: Kurt Weill (música) & Bertolt Brecht (letra)
Intérprete: Frank Sinatra
Páginas da Internet consultadas:
https://www.justalks.com.br/estado-democratico-de-direito/
https://br.vexels.com/merch/png/military-knife/
https://pt.pngtree.com/so/rolo-compressor
https://www.freepik.com/free-photos-vectors/lgbt
https://adriano-pinheiro.jusbrasil.com.br/
https://br.pinterest.com/pin/414964553146049371/
https://www.istockphoto.com/br
https://azmina.com.br/reportagens/heroinas-negras-do-brasil/
https://tenor.com/pt-BR/view/running-cow-animated-gif-17345106
https://www.yellowcatfive.com/
https://www.polemicaparaiba.com.br/
https://jornalistaslivres.org/t/ai-5-nunca-mais/
https://sintufscar.org.br/31-de-marco-ditadura-nunca-mais/
https://gfycat.com/pl/stickers/search/brain-afk
https://imagensemoldes.com.br/skull-png/
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