(1879-1955)

 

 

 

 

 

 

Albert Einstein

 

 

Rodolfo Domenico Pizzinga

Música de fundo:
What's New? (Johnny Burke & Bob Haggart)
Fonte:
http://www.momentus.com.br/sound/mid/sound.html

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

Não conheço uma pessoa que não tenha ouvido falar da famosa equação E = mc2, mas a maioria não sabe bem o que ela significa, e alguns incorrem em uma certa confusão conceitual. Todos, contudo, gostariam de saber. Este despretensioso texto, preliminarmente, tentará explicar o significado desta bondosa/facinorosa equação da forma mais simples – que é apenas uma pequena parte do trabalho desenvolvido por Albert Einstein (1879-1955) – e especular um pouco a respeito. Só um pouquinho. De qualquer maneira, E = mc2 está ligada tanto à 2ª Grande Guerra quanto aos buracos negros, tanto aos aparelhos médicos quanto aos televisores, e por aí vai. Tenhamos em mente neste estudo que o Universo que conhecemos é primariamente energia, energia essa derivada de outras formas de energia, pois o que se costuma denominar de energia, neste Plano, é uma conseqüência de outras conseqüências. Ou seja: a energia que entendemos como tal (ou que manipulamos) é uma energia-filha, que, ao mesmo tempo, é pai-mãe de outras formas de energia. Alguns físicos, provavelmente, discordarão desse conceito. Paciência.

 

 

 

Afinal, o que é energia? Confesso que eu não sei lá muito bem o seja. Mas, duas coisas parecem ser certas: 1º) A energia universal total não se altera um 'ésimo' ao longo do tempo que não é tempo (Lei da Conservação da Energia = A Energia Total do Universo Macro é permanentemente igual a UM, ainda que ninguém possa saber o quanto dessa Energia está condensada sob as mais variadas formas de matéria em todas as dimensões de todos os Universos); 2º) ao abrir uma janela, a energia que 'surge' para que ela se abra é exatamente a mesma que é removida do braço (músculos) de quem a abre (este é um exemplo simples do Princípio de Conservação). É claro, entretanto, que a energia envolvida em um ato de amor não pode ser a mesma (não pode ter a mesma qualidade vibratória) do que aquela veiculada em um ato de horror/terror. Abrir uma janela com delicadeza é uma coisa; abri-la com violência é outra bem diferente. E terrorizar... Bem, terrorizar é um terror!

Em termos de modernidade, esse conceito (Princípio de Conservação) apareceu, de maneira incipiente, apenas em meados do século XIX como resultado das pesquisas de Michael Faraday – um encadernador pobretão que se tornou cientista e Fellow da Royal Society. Mas, como é possível – e isso eu não compreendo – que de um simples fio pendente – a base do motor elétrico – girando continuamente, a Humanidade tenha tido a coragem e a suprema maldade para construir uma bomba nuclear? O que mais me escandaliza é que foi um Iniciado (um pobre iniciado, diga-se de passagem) que mandou jogar duas delas no Japão. E esse caradura não ficou mesmo satisfeito com uma — o Little Boy. Achou que foi pouco sangue que correu e que foi pouca gente que queimou. Quis mais. Determinou que fosse lançada a segunda — o Fat Man. (Se, acima, você não clicou em duas, clique AQUI. Foram essas bolas da morte que caíram – foram despejadas – em Hiroshima e em Nagazaki!). O mais doloroso é que há sempre um small sun of a bitch disponível para cumprir essas ordens pensando que está sendo patriota. Já ouvi que comunista bom é comunista morto.

O fato é que as leis que vigem em tempos de guerra são medonhas e feitas para que o poder não possa ser questionado: manda quem pode, obedece quem tem juízo (ditado popular de boçal covarde e igorante). Uns poucos desajuizados que se negaram a cumprir ordens malucas dadas por malucos foram dados como covardes e desertores, e acabaram mortos para servir de exemplo e para desencorajar outros desajuizados. Mas a coisa não fica só no mandar/cumprir. O tal do patriotismo faz com que certas pessoas façam certas coisas nas guerras, que em tempos de paz jamais teriam coragem de fazer. Depois, nem sabem como tiveram a coragem de fazê-las. Acho que assomam os piores arquétipos e o sujeito volta temporariamente a ser filhote de monstro. Eu não teria jogado aquelas bombas por nada neste mundo. Absolutamente nada. Morreria, mas não cumpria uma ordem dessas. Aliás, eu não estaria nem metido naquela guerra de doidos, nem em qualquer outra. Patriotismo não é matar em nome da pátria. Patriotismo é, por exemplo e entre outras coisas, não aceitar mensalão e não se emprenhar dos valeriodutos. Esses fedorentos, quando morrerem, dirão: Aiiiii! E ouvirão: — Vem cá! Estamos te esperando! Os que já morreram sabem exatamente o que eu estou falando.

Seguindo: A coisa toda – o incipiente princípio das lucubrações relativísticas einsteinianas – começou em 1905 (o annus mirabilis para Einstein). Segundo Sumaia Vieira et alii, em 1905, Einstein publicou um artigo sobre a Teoria da Relatividade Especial, no qual, basicamente, estabeleceu os seguintes postulados: 1º - Todos os sistemas de referência inerciais em movimento de translação uniforme, uns em relação aos outros, são equivalentes (Princípio da Relatividade); 2º - A velocidade da luz é independente do movimento da fonte emissora. A partir desses postulados, uma série de conseqüências novas na Física foram deduzidas. Uma dessas conseqüências – a famigerada equação E = mc2 – foi apresentada por Einstein também em 1905 em um artigo publicado na revista alemã Annalen der Physik (Anais da Física), com o seguinte título: A Inércia de um Corpo Será Dependente do seu Conteúdo Energético? De um modo mais geral, podemos escrever a seguinte equação para a energia de uma partícula livre: E = K + mc2, sendo E a energia relativística, K a energia cinética da partícula, m a sua massa de repouso e c a velocidade da luz no vácuo. Enfim, o ponto crucial dessa equação é que, mesmo em repouso, qualquer partícula possui energia E = mc2, a qual está associada uma determinada massa. Assim, temos que substituir as leis clássicas de conservação por uma única lei de conservação da energia relativística total: a energia relativística total de um sistema isolado permanece constante.

O Grupo de Ensino de Física da Universidade Federal de Santa Maria oferece uma explicação muito interessante sobre essa matéria. Transcrevo: Existe um engano largamente difundido sobre a interpretação da famosa fórmula de Einstein E = mc2. Esta fórmula é freqüentemente interpretada como significando que massa e energia podem ser convertidas uma na outra, ou seja, que uma parte da massa de um corpo pode desaparecer se no processo surgir uma certa quantidade de energia. Então, massa e energia seriam grandezas não conservadas. Isto não é verdade. Massa é a medida da inércia de um corpo. Energia é a capacidade de realizar trabalho. O que Einstein mostrou na sua Teoria Especial da Relatividade – e que é plenamente aceito por todos os físicos e testado com grande precisão por um sem-número de experimentos – é que se um corpo ganha uma certa quantidade de energia E, sua inércia aumenta de uma quantidade equivalente a E/c2 (onde c é a velocidade da luz no vácuo). E inversamente, se um corpo perde uma certa quantidade de energia E, sua inércia fica diminuída de uma quantidade equivalente a E/c2. Neste sentido, e apenas neste sentido, é usual dizer que massa e energia estão uma associada com a outra ou que existe uma equivalência entre massa e energia. A noção incorreta de que massa pode ser transformada em energia tem origem, provavelmente, nas descrições populares dos processos de fissão nuclear, onde é colocada ênfase no fato de que os fragmentos da fissão de um átomo de urânio têm massa total menor do que a massa do átomo de urânio original, enquanto que uma considerável quantidade de energia parece ter surgido do nada (como energia cinética dos fragmentos, energia da radiação eletromagnética etc.).

 

 

 

Mas esta energia não veio do nada. Do nada nada se faz. Ela já estava presente como energia potencial no arranjo das partículas intranucleares no núcleo do átomo de urânio antes da fissão, energia potencial esta que diminuiu pelo rearranjo das partículas nos fragmentos mais estáveis da fissão. A diminuição desta energia potencial do átomo de urânio vem junto com a redução da massa que é observada se ignorarmos a massa associada à energia cinética dos fragmentos, à energia da radiação eletromagnética etc. A energia potencial diminui e a energia cinética aumenta. A energia total se conserva. A massa associada à energia potencial diminui e a massa associada à energia cinética aumenta. A massa total se conserva.

O processo de explosão do TNT (trinitrotolueno) oferece uma boa analogia com o processo de fissão do urânio. A energia produzida não aparece simplesmente por mágica: ela já estava presente anteriormente como energia potencial química na maneira como os átomos de carbono, nitrogênio, hidrogênio e oxigênio se arranjam para formar as moléculas de TNT. Quando estas moléculas se fragmentam e estes fragmentos se reorganizam em agrupamentos mais estáveis, parte desta energia potencial deixa de existir e em seu lugar aparece a energia cinética destes agrupamentos, que se movem originando a onda de choque da explosão. Enfim, a melhor maneira de apreciar a conclusão de Einstein é entender que se um corpo ganha (ou perde) uma certa quantidade de energia E, sua massa aumenta (ou diminui) de uma quantidade igual a E/c2. Do nada nada se faz.

Por algum motivo exótico, me ocorreu agora que muita gente pensa que o demônio foi criado (do nada) por Deus; depois quando se rebelou contra a autoridade divina – auxiliado por uma legião de entidades malignas sob seu comando – começou a atenazar a cabeça da gente. Do nada, nada. Se do nada nada se faz, Deus não poderia ter fabricado um demônio ou um zilhão de demônios do nada. Ele, certamente, sempre deve ter tido muito mais o que fazer, para simplesmente perder seu precioso tempo divino fabricando demônios. Ou não? Mas nós, sim. Como temos poucas responsabilidades e com todos os instrumentos de perversidade que possuímos podemos projetar e fabricar todos os tipos de demônios. Aliás, somos especialistas nisso.

http://www.ufsm.br/gef/index.html#inicio

 

 

Trinitrotolueno

 

Não vou avançar mais nestes conceitos senão esta introdução ficará muito longa, descaracterizando, inclusive, o propósito deste ensaio, que é revisitar alguns pensamentos de Albert Einstein. Porém, uma consulta a qualquer biografia de Einstein será um passeio muito interessante, porque, acima de tudo, ele era um humanista, e também um excepcional contador de piadas e um gazeteiro de marca maior. Ele amava cabular as aulas para... pensar. Maravilha! Eu posso bem imaginar o desespero dos neurônios de Einstein tendo que assistir àquelas aulas fastidiosas, nas quais lhe ensinavam que energia e massa eram coisas diferentes — que uma nada tinha a ver com a outra. Um professor de gramática grega, no curso secundário, até chegou mesmo a vaticinar: — Senhorrr Alberrrt: o senhorrr nunca chegarrrá a serrr 'álguem'. Costumam ridicularizar esse professor, mas ele estava rigorosamente correto nessa sua previsão. Albert Einstein não foi mesmo alguém nem foi parecido com ninguém. Comparar o gênio einsteniano com alguém, 'álguem' ou com alguma coisa seria um despautério 'despauterizante'.1 Só que a besta do professor (meu colega) que falou essa asnice sentenciou no pior sentido.

Mas, não posso deixar de registrar, o primeiro cientista-(cobrador-de-impostos) a afirmar que toda a massa que existia (minérios, minerais, plantas etc.) era parte de um totum foi Antoine Laurent Lavoisier (1743-1794). Nada é perdido, nada é acrescentado; e assim, um prego que enferruja aumenta de peso, mas a matéria-energia universal não se altera. É, mutatis mutandis, como abrir uma janela ou dar um peidinho. Ou como escreveu David Bodanis com tanta seriedade quanto eu: As substâncias que preenchem o nosso Universo podem ser queimadas, espremidas, fragmentadas ou marteladas, mas não desaparecerão. A matéria-energia é conservada.

Bem, tudo isso me faz especular o seguinte: todos os sistemas isolados (ou não) formam um só sistema, o que, misticamente, conduz a um pensamento irredutível — somos todos um. Podemos inventar o que quer que seja, mas, ao frigir dos ovos, somos todos um.

 

A

 

 

PENSAMENTOS DE EINSTEIN

 

 

 

Penso noventa e nove vezes e nada descubro. Deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio e eis que a verdade se me revela. A mente avança até o ponto onde pode analisar, mas depois passa para uma dimensão superior sem saber como lá chegou. Todas as grandes revelações realizaram este salto.

A imaginação é mais importante do que o conhecimento.

A vida não dá nem empresta; não se comove nem se apieda. Tudo quanto ela faz é retribuir e transferir aquilo que nós oferecemos.

Tristes tempos os nossos. É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.

 

 

 

Sou, na verdade, um viajante solitário, e os ideais que iluminaram meu caminho e que proporcionaram uma vez ou outra novo valor para enfrentar a vida foram a beleza, a bondade e a verdade.

A mecânica quântica está a impor-se. Mas, uma voz interior me diz que ainda não é a teoria certa. A teoria diz muito, mas não nos aproxima do segredo do Velho (The Old One). Eu estou convencidode que Ele não joga aos dados.

O direito de todo homem é escutar sua consciência e atuar segundo o que ela lhe dita. [Eu não diria que isso é um direito, mas um privilégio.]

Carta a Isaac Hirsch, presidente da Congregação B'er Chaym:

Meu caro Sr. Hirsch

Muito obrigado pelo seu gentil convite. Apesar de eu ser uma espécie de Santo Judeu, tenho estado ausente da Sinagoga há tanto tempo que receio que Deus não me iria reconhecer, e se me reconhecesse seria ainda pior.

Com os meus melhores cumprimentos e votos de bons feriados para si e para a sua congregação.

Agradecendo mais uma vez,

Albert Einstein

Se eu tivesse a sorte de passar nos meus exames, iria para Zurique. Ficaria lá durante quatro anos para estudar Matemática e Física. Imagino-me tornando professor naqueles ramos das ciências naturais, escolhendo a parte teórica deles. Eis as razões que me levam a este plano. Acima de tudo, esta é minha disposição para pensamento abstrato e matemático, e minha falta de imaginação e habilidade prática.

A monotonia da vida tranqüila estimula a mente criativa.

Uma hora com uma jovem e bela mulher passa como um minuto, mas um minuto sobre um forno quente parece uma hora.

A ciência é uma tentativa de conseguir que à caótica diversidade de nossas experiências sensoriais corresponda um sistema de pensamento logicamente ordenado.

 

 

Não existe nenhum caminho lógico para a descoberta das leis do Universo. O único caminho é o da intuição.

Não entendes realmente algo a menos que sejas capaz de explicá-lo a tua vovó.

Uma universidade é o lugar onde a universalidade do espírito humano se manifesta.

Sem dúvida, temos que reconhecer hoje, com horror, que os pilares da existência humana civilizada têm perdido sua firmeza. Leis arbitrárias, opressão, perseguição de indivíduos, de crenças e de comunidades se praticam abertamente em muitos países e são aceitos como justificáveis ou como inevitáveis.

Lendo livros científicos populares, logo cheguei à conclusão de que muito nas histórias da Bíblia não podia ser verdade. A conseqüência foi uma explosão de livres pensamentos positivamente fanáticos, associados à impressão de que a juventude estava sendo intencionalmente enganada pelo Estado através de mentiras. Era uma impressão enganadora.

Um cientista raramente se inclinará a crer que o curso dos eventos possa ser influenciado pela oração, ou seja, por um desejo dirigido a um ser sobrenatural.

Não posso conceber um Deus que recompensa e pune as suas criaturas ou que tem uma vontade do tipo que nós mesmos experimentamos. Eu estou satisfeito com o mistério da eternidade da vida e com a consciência e o vislumbre da estrutura maravilhosa do mundo existente.

Falando do espírito que informa as investigações científicas modernas, sou da opinião que todas as melhores especulações, no âmbito da ciência, brotam de um sentimento religioso profundo, e que esse tipo de religiosidade que se faz sentir hoje na investigação científica é a única atividade religiosa criativa de nosso tempo.

A ciência sem religião é manca; a religião sem a ciência é cega.

Todos os nossos atos estão governados por nossos impulsos e estes impulsos estão organizados de tal maneira que nossas ações em geral servem para nossa própria conservação e para a conservação da espécie.

Todos os impulsos primários, difíceis de expressar com palavras, são mananciais das ações humanas.

Quando examino a mim mesmo e aos meus métodos de pensamento, chego à conclusão de que o dom da fantasia significou muito mais para mim do que meu talento para absorver conhecimento positivo.

 Sou um solitário que ama a Humanidade.

Concordo plenamente quanto à importância e ao valor educativo da Metodologia e bem assim da História e da Filosofia da Ciência. Hoje, muitas pessoas — e mesmo cientistas profissionais — parecem-me alguém que viu milhares de árvores mas nunca uma floresta. Um conhecimento das bases históricas e filosóficas fornece aquele tipo de independência dos preconceitos da sua geração que afetam muitos cientistas. Esta independência criada pelo conhecimento filosófico é – na minha opinião – a marca de distinção entre um mero artesão ou especialista e um verdadeiro pesquisador da verdade.

Há duas coisas infinitas: o Universo e a tolice dos homens. Mas não tenho certeza do que afirmo sobre a questão do Universo. [Penso que o correto seria falar de coisas ilimitadas.]

É característico da mentalidade militar que fatores não humanos (bombas atômicas, bases estratégicas, armas de todo o tipo, posse de matérias-primas etc.) sejam considerados essenciais, enquanto o ser humano, seus desejos e pensamentos – em resumo, os fatores psicológicos – sejam considerados desimportantes e secundários. O indivíduo é degradado a um mero instrumento; ele se torna material humano. Os fins normais da aspiração humana se esvaem sob esse ponto de vista. Ao invés disso, a mentalidade militar eleva o “poder nu” como um fim em si mesmo – uma das mais estranhas ilusões às quais o homem poderá sucumbir.

Hoje, a existência da mentalidade militar é mais perigosa do que nunca, porque as armas ofensivas se tornaram muito mais perigosas do que as defensivas. Esse fato inevitavelmente produzirá o tipo de pensamento que leva a guerras preventivas. A insegurança geral que resulta desses avanços resulta no sacrifício dos direitos civis do cidadão em nome do suposto bem-estar nacional. A caça às bruxas e os controles governamentais de todos os tipos (como o controle do ensino e da pesquisa, da imprensa, e assim por diante) parecem inevitáveis, e, conseqüentemente, não encontram aquela resistência popular que, não fosse a mentalidade militar, poderia servir para proteger a população.

A relação recíproca entre a epistemologia e a ciência é de uma espécie notável. Dependem uma da outra. A epistemologia sem contato com a ciência torna-se um esquema vazio. A ciência sem epistemologia é – se sequer se puder pensar tal – primitiva e confusa.

Tem-se dito freqüentemente, e certamente não sem justificação, que o homem de ciência é um fraco filósofo. Por que razão, então, não deveria ser a atitude certa do físico a de deixar o filosofar ao filósofo? Tal poderia, de fato, ser a atitude certa a tomar numa altura em que o físico acredita que tem à sua disposição um rígido sistema de conceitos fundamentais e leis fundamentais tão bem estabelecidas que ondas de dúvidas os não podem alcançar; mas não pode ser certo em um momento em que os próprios fundamentos da Física se tornaram problemáticos como o são agora. Em um tempo como o presente, quando a experiência nos força a procurar um mais novo e mais sólido fundamento, o físico não pode simplesmente ceder ao filósofo a contemplação crítica dos fundamentos teóricos; pois ele próprio sabe melhor e sente mais seguramente onde a porca torce o rabo. Na busca de um novo fundamento, ele deve tentar tornar claro para si próprio até que ponto os conceitos que usa são justificados e necessários.

Como se dá que um bem dotado cientista natural se venha a preocupar com epistemologia? Não existe trabalho mais valioso a ser feito na sua especialidade? É o que eu ouço perguntar por muitos dos meus colegas e pressinto-o de muitos mais. Mas não posso partilhar desse sentimento. Quando penso nos estudantes mais capazes que encontrei no meu ensino — isto é, aqueles que se distinguiam pela sua independência de juízo e não apenas pela sua rapidez de raciocínio — posso afirmar que tinham um interesse vigoroso pela epistemologia. Encetavam alegremente discussões sobre os objetivos e os métodos da ciência e demonstravam inequivocamente, através de uma defesa tenaz das suas opiniões, que o tema lhes parecia importante.

Os conceitos que demonstraram a sua utilidade na ordenação das coisas facilmente atingem uma tal autoridade sobre nós que nos esquecemos das suas origens terrenas e os aceitamos como dados inalteráveis. Então vêm a ser marcados como "necessidades do pensamento", "dados a priori" etc. O caminho do progresso científico torna-se freqüentemente intransitável por muito tempo graças a esses erros. Por conseguinte, não é de todo um jogo vão se nos tornarmos experimentados em analisar os conceitos há muito tidos como lugares-comuns e em mostrar as circunstâncias das quais depende a sua justificação e a sua utilidade e como extravasaram, individualmente, dos dados da experiência. Assim, a sua excessiva autoridade será quebrada. Serão removidos se não puderem ser adequadamente legitimados, corrigidos se a sua correlação com as coisas dadas for demasiado supérflua ou substituídos se for possível estabelecer um novo sistema preferido por uma qualquer razão.

Quero apenas explicar o que quero dizer quando digo que devemos tentar ater-nos à realidade física. Todos temos […] consciência da situação relativa do que virão a ser os conceitos básicos fundacionais da Física: o ponto-massa ou a partícula não estão certamente entre eles; o campo, no sentido de Faraday-Maxwell, pode vir a estar, mas sem certezas. Mas aquilo que concebemos como existente (real) deve, de alguma forma, estar localizado no tempo e no espaço. Isto é, o real numa parte do espaço, isto é: A deve (em teoria) "existir" de alguma forma independentemente daquilo que é considerado real noutra parte do espaço B. Se um sistema físico abrange A e B, então o que está presente em B deve de alguma forma ter uma existência independente do que está presente em A. O que está efetivamente presente em B não deveria por isso depender do tipo de medição levada a cabo na parte do espaço A; deveria também ser independente do fato de se fazer ou não uma medição em A. Se se aderir a este programa, então dificilmente se pode encarar a descrição teórica quântica como uma descrição completa do que é fisicamente real. Se se tentar, ainda assim, encará-la como tal, então tem de se pressupor que o fisicamente real em B sofre uma mudança súbita por causa de uma medição feita em A. Os meus instintos físicos ficam eriçados perante tal sugestão. No entanto, se se renunciar ao pressuposto de que o que está presente em diferentes partes do espaço tem uma existência independente real, então não vislumbro sequer o que a Física deve supostamente descrever. Pois o que é supostamente "sistema" é, no fim de contas, apenas convencional, e não vejo como se pode esperar dividir o mundo objetivamente para se produzir afirmações sobre as partes.

A paz não pode ser mantida à força. Somente pode ser atingida pelo entendimento.

Algumas pessoas não fazem jus a possuírem um cérebro, pois se contentam com os estímulos nervosos produzidos por sua coluna vertebral.

E cada dia, milhares de vezes, sinto minha vida – corpo e alma – integralmente tributária do trabalho dos vivos e dos mortos. Gostaria de dar tanto quanto recebo e não paro de receber. Sinto ser acessível e desejável para todos uma vida simples e natural, de corpo e de espírito.

Tudo deveria ser tornado tão simples quanto possível, mas não mais simples do que isso.

Todas as ações e todas as imaginações humanas têm em vista satisfazer as necessidades dos homens e trazer lenitivo às suas dores. Recusar esta evidência é não compreender a vida do espírito e o seu progresso. Porque experimentar e desejar constituem os impulsos primários do ser, antes mesmo de considerar a majestosa criação desejada.

Por enquanto sou um cientista alemão; mas se me tornar involuntariamente em uma besta negra vou preferir ser um judeu suíço.

Querida Posteridade: se você não se tornou mais justa, mais pacífica e mais racional do que nós somos (ou fomos) até agora, então vá para o diabo!

Eu tratei minha mulher como uma empregada, mas como uma empregada que não podia demitir.

O mistério da vida me causa a mais forte emoção. É o sentimento que suscita a beleza e a verdade e que cria a arte e a ciência. Se alguém não conhece esta sensação ou não pode mais experimentar espanto ou surpresa, já é um morto-vivo e seus olhos se cegaram. Aureolada de temor, é a realidade secreta do mistério que constitui também a religião. Homens se confessam limitados e seu espírito não pode compreender esta perfeição. E este conhecimento e esta confissão tomam o nome de religião. Deste modo, e somente deste modo, sou profundamente religioso, bem como esses homens. Não posso imaginar Deus a recompensar e a castigar o objeto de sua criação.

Sem cooperação honesta com os árabes, não há paz, não há prosperidade. Isso diz respeito a longo prazo, não ao momento presente. [Não é o que estamos assistindo hoje meio século depois?]

Não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes.

 

 

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

Aquele que só conhece a pesquisa científica por seus efeitos práticos vê depressa demais e incompletamente a mentalidade de homens que, rodeados de contemporâneos céticos, indicaram caminhos aos indivíduos que pensavam como eles. Em nossa época, instalada no materialismo, reconhece-se nos sábios escrupulosamente honestos os únicos espíritos profundamente religiosos.

A coisa mais dura de entender no mundo é o Imposto de Renda.

Deus pode ser sutil, mas não é maldoso.

A coisa mais bela que podemos experimentar é o mistério. Essa é a fonte de toda a arte e das ciências verdadeiras.

O mais incompreensível do mundo é que ele seja compreensível.

Nunca me preocupo com o futuro, muito em breve ele virá.

Nada beneficiará mais a saúde da Humanidade e aumentará maiormente as chances de sobrevivência da vida na Terra quanto a dieta vegetariana.

Se as pessoas são boas só por temerem o castigo e almejarem uma recompensa, então realmente somos um grupo muito desprezível.

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original. [Elucubrando e especulando: obviamente o cérebro não é a mente; apenas é o órgão físico do qual a mente depende e não depende para se manifestar e interagir, pois muitas manifestações podem acontecer sem a intermediação do cérebro. Logo, a animação a seguir é meramente pictorial e fruto das minhas enlouquecedoras fantasias, pois se a cada nova idéia que acessamos ou se a cada entusiasmo criador que nos inspira o cérebro aumentasse de tamanho, o maior negócio do mundo não seria o petróleo e nem o Iraque estaria de pernas para o ar como está, mas, sim, as fábricas de pentes, de soluções saponáceas para lavar os cabelos e o couro cabeludo, de xampus anticaspa, de grampos e de similares. Essa fabulosa e desconhecida idéia que estou divulgando não vale para cabeças que sofreram perda de cabelos. Mas, quem sabe, se essa situação fosse possível – isto é, para cabeças que sofreram perda de cabelos em cérebros que aumentaram de tamanho em virtude de novas idéias e de entusiasmos criadores – um outro excelente negócio seria construir fábricas e mais fábricas de chinós! E explorando os trabalhadores a mais não poder, seria melhor ainda! Do jeito que a maior parte dos Estados é, isso acabaria virando uma questão de segurança nacional. De qualquer maneira, seria mesmo muito melhor fabricar perucas para os cabeções do que construir bombas. Eu não sei como o Einstein com toda a inteligência que ele tinha não pensou nisso. O sem cabelos aí embaixo provavelmente seria um potencial comprador dos chinós.]

 

 

 

A tradição é a personalidade dos imbecis.

A liberação da energia atômica mudou tudo, menos nossa maneira de pensar.

Falta de tempo é desculpa daqueles que perdem tempo por falta de métodos.

Eu quero saber como Deus criou este mundo. Não estou interessado neste ou naquele fenômeno, no espectro deste ou daquele elemento. Eu quero conhecer os pensamentos Dele. O resto são detalhes.

Não sei como será a terceira guerra mundial, mas sei como será a quarta: com pedras e paus.

Para me punir por meu desprezo pela autoridade o destino fez de mim mesmo uma autoridade.

Se se verificar que a minha Teoria da Relatividade é certa, a Alemanha dirá que sou alemão e a França que sou um cidadão do mundo; se se verificar que é errada, a França dirá que sou alemão e a Alemanha que sou judeu.

O estudo e a busca da verdade e da beleza são domínios em que nos é consentido sermos crianças por toda a vida.

Não sei por que todos me adoram se ninguém entende minhas idéias.

O casamento á a tentativa malsucedida de extrair algo duradouro de um acidente.

A política serve a um momento no presente, mas uma equação é eterna.

A anarquia econômica da sociedade capitalista tal qual existe hoje é, em minha opinião, a real fonte do mal...

A Natureza não esconde seus segredos por malícia, mas sim por causa de sua própria altivez.

Chamarei de "trabalhadores" todos aqueles que não compartilhem da posse dos meios de produção. Na medida em que o contrato de trabalho é "livre", o que o trabalhador recebe é determinado não pelo real valor dos bens que produz, mas pelo mínimo de que necessita e pela busca dos capitalistas da força de trabalho em relação ao número de operários competindo por empregos.

Sob as condições existentes, capitalistas privados inevitavelmente controlam, direta ou indiretamente, as principais fontes de informação (imprensa, rádio, educação). É assim extremamente difícil e, na verdade na maior parte dos casos, realmente impossível para o cidadão chegar a conclusões objetivas e fazer uso inteligente de seus direitos políticos.

A produção obedece à lei do lucro e não se destina ao uso. Não tem a preocupação de que todos aqueles capazes e dispostos a trabalhar sempre tenham condições de encontrar emprego; um exército de desempregados quase sempre existe.

A posse de meios de produção maravilhosos não trouxe a liberdade, mas a preocupação e a fome.

  Algo só é impossível até que alguém duvide e acabe provando o contrário.

Eu considero a invalidação do indivíduo o pior dos males do Capitalismo. Inculca-se no estudante uma atitude competitiva exagerada instruindo-o a adorar o êxito aquisitivo.

Estou convencido de que há apenas um (itálico no original) meio de eliminar estes graves males, ou seja, através do estabelecimento de uma economia socialista acompanhada de um sistema educacional voltado para metas sociais. Em tal economia, os meios de produção são possuídos pela própria sociedade e utilizados de forma planificada. Uma economia planificada, que ajusta a produção às necessidades comunitárias, distribuiria o trabalho a realizar entre todos aqueles capazes de trabalhar e garantiria a subsistência a todos os seres humanos. A educação do indivíduo, além de promover suas próprias habilidades inatas, empenhar-se-ia em nele desenvolver senso de responsabilidade por seus semelhantes em lugar da glorificação do poder e do sucesso de nossa presente sociedade.

Se A é o sucesso então é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

Sem a convicção de uma harmonia íntima do Universo não poderia haver ciência. Esta convicção é – e continuará a ser – a base de toda a criação científica. Em toda a extensão dos nossos esforços, nas lutas dramáticas entre as velhas e as novas concepções, entrevemos a ânsia eterna de compreensão, a intuição inabalável da harmonia universal, que se robustece na própria multiplicidade dos obstáculos que se oferecem ao nosso entendimento.

O mecanismo do descobrimento não é lógico e intelectual; é uma iluminação subitânea, quase um êxtase.

O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, e sim por aquelas que permitem a maldade.

Uma coisa eu aprendi na minha longa vida: toda a nossa ciência comparada com a realidade é primitiva e infantil, mesmo assim é a coisa mais preciosa que nós temos.

Um arqueólogo de uma civilização adiantada encontra um tratado de geometria euclidiana sem figuras. Descobrirá em que sentido estão empregadas nos teoremas as palavras ponto, reta e plano. Reconhecerá também como esses teoremas são deduzidos uns dos outros. Poderá até mesmo estabelecer novos teoremas segundo as regras reconhecidas. Mas a formação dos teoremas continuará a ser para ele um jogo de palavras vazias, enquanto não "puder imaginar qualquer coisa" que corresponda às palavras ponto, reta, plano etc. Só quando isso acontecer é que a geometria passará a ter, para ele, um verdadeiro conteúdo. O mesmo se passará com a mecânica analítica ou com quaisquer outras exposições das ciências lógico-dedutivas. [E com a própria idéia de Deus.]

Queridas crianças. Nós não devemos perguntar "o que é um animal?", mas sim, "que coisa chamamos de animal?" Bem, chamamos de animal quando essa coisa tem certas características: alimenta-se, descende de pais semelhantes a ela, cresce sozinha e morre quando seu tempo se esgotou. É por isso que chamamos a minhoca, a galinha, o cachorro e o macaco de animais. E nós, humanos? Pensem nisso da maneira que eu propus anteriormente e então decidam por vocês mesmas se é uma coisa natural nós nos considerarmos animais.

As gerações futuras dificilmente entenderão como passou na Terra uma pessoa como Mahatma Gandhi.

Perguntaram-me muitas vezes como eu inventava as minhas teorias, de onde tirava as idéias e como arranjava uma maneira de simplificar as coisas mais complicadas. A resposta é simples: sempre afirmei que é preciso tentar as coisas noventa e nove vezes para acabar por ser bem sucedido [talvez] na centésima vez.

Por que esta ciência aplicada, que economiza trabalho e torna a vida mais fácil, traz a nós tão pouca felicidade? Resposta: porque nós ainda não aprendemos a fazer uso sensível da mesma.

A Física é tão subjetiva quanto qualquer outra empresa humana.

Manifesto contra a conscrição, o alistamento forçado e o sistema militar (assim como contra a privatização dos exércitos e contra todos os mercenários) — assinado, entre outros, por Annie Besant e Albert Einstein.

 Em nome da Humanidade, e para bem de todos os civis ameaçados pelos sistemáticos e contínuos crimes de guerra, em particular para todas as mulheres e crianças e em defesa da Mãe Natureza, lesada e maltratada em todas as guerras, nós os signatários deste manifesto afirmamos publicamente ser a favor da abolição do alistamento militar como condição necessária e imprescindível, até mesmo como um passo decisivo para um total e completo desarmamento. Recordamos, por isso, a mensagem dos humanistas do século XX: «Estamos convencidos de que o Exército, que se baseia sobre o alistamento forçado, assim como de um grande número de oficiais profissionais, representa uma pesada ameaça para a paz. O serviço militar obrigatório comporta a degradação da pessoa humana e a suspensão da liberdade. A arregimentação, a militarização e a obediência cega às ordens, quantas vezes injustas e insensatas, tal como a instrução para o assassínio mais não faz que enterrar o respeito que é devido à pessoa e ao individuo, à democracia e à condição humana. Trata-se de uma verdadeira humilhação da dignidade humana levar homens a roubar vidas humanas, a forçá-los a matar contra sua vontade, contra as suas convicções e contra todo o sentido de justiça. Um Estado que se julga no direito de enviar os seus cidadãos para a guerra, ainda que em tempo de paz, não pode reconhecer o valor devido à vida e à alegria de viver. Além disso, o serviço militar obrigatório inculca em toda a população masculina um espírito militar agressivo, e logo numa fase da vida que é a mais sugestionável de todas. É justamente a preparação para a guerra que faz da guerra como algo de inevitável e até mesmo como um objetivo desejável! O serviço militar obrigatório submete cada indivíduo ao militarismo. Trata-se de uma forma de escravatura que as populações habitualmente toleram, mas que é mais uma prova da nefasta influência do sistema militarista. A instrução militar consiste na formação do corpo e do espírito para a arte de matar. A instrução militar mais não é que a educação para a guerra. No fundo, ele é eternização do espírito belicoso que entrava o desenvolvimento do desejo e da vontade de paz.» Queremos encorajar todos e todas a se libertarem do sistema militar utilizando os métodos de resistência não-violenta na linha da tradição de Mahatma Gandhi e de Martin Luther King: objeção de consciência ao serviço militar (quer para os mobilizados quer para os soldados voluntários e profissionais), a desobediência civil, a recusa de pagar imposto para as guerras, a não-cooperação para a pesquisa científica para fins militares, assim como para a produção de armamento e a venda de armas. Na atual era das guerras por comando eletrônico e de tremendas manipulações midiáticas é nosso dever agir segundo a nossa consciência. É chegado, assim, o momento de pedir a desmilitarização das nossas sociedades, das nossas atitudes e dos nossos pensamentos, e de nos pronunciarmos contra a guerra e os seus preparativos. [Recomendo a leitura da obra Pela Paz Perpétua (Zum Ewigen Frieden) que Immanuel Kant (1724-1804) escreveu aos 71 anos de idade. A obra é uma proposta de constituição republicana fundamentada em três princípios: liberdade dos membros de uma sociedade enquanto homens, dependência enquanto súditos e igualdade enquanto cidadãos. O projeto visava estabelecer uma paz perpétua entre os povos europeus e depois esparramá-la por todo o mundo. Enfim, o livro é um manifesto iluminista em favor do entendimento permanente entre os homens. Poderia ter sido escrito hoje.]

Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens.

Não consigo conceber um Deus pessoal que influa diretamente sobre as ações dos indivíduos, ou que julgue diretamente criaturas por Ele criadas. Não posso fazer isto, apesar do fato de que a causalidade mecanicista foi, até certo ponto, posta em dúvida pela ciência moderna. Minha religiosidade consiste em uma humilde admiração pelo espírito infinitamente superior que se revela no pouco que nós, com nossa fraca e transitória compreensão, podemos entender da realidade. A moral é da maior importância para nós, porém, não para Deus. [Sim, porque a moral é humana. O que é cósmico, eterno e imutável é a Ética.]

Todos podem atingir a religião em um último grau, raramente acessível em sua pureza total. Dou a isto o nome de religiosidade cósmica; mas não posso falar dela com facilidade, já que se trata de uma noção muito novaà qual não corresponde conceito algum de um Deus antropomórfico. Notam-se exemplos desta religião cósmica nos primeiros momentos da evolução em alguns salmos de Davi ou em alguns profetas. Em grau infinitamente mais elevado, o Budismo organiza os dados do cosmos... Ora, os gênios religiosos de todos os tempos se distinguiram por esta religiosidade ante o cosmos. Ela não tem dogmas nem um Deus concebido à imagem do homem, portanto nenhuma Igreja ensina a religião cósmica. Tenho também a impressão de que os hereges de todos os tempos da história humana se nutriam com esta forma superior de religião. Contudo, seus contemporâneos muitas vezes os tinham por suspeitos de ateísmo, e às vezes, também, de santidade. Considerados deste ponto de vista, homens como Demócrito, Francisco de Assis e Spinoza se assemelham profundamente.

Uma das forças do regime comunista no Oriente é que ele tem um certo caráter de religião e inspira as emoções da religião.

A pior das instituições se intitula Exército. Eu o odeio. Se um homem puder sentir qualquer prazer em desfilar aos sons de música, eu desprezo este homem... Não merece um cérebro humano, já que a medula espinhal o satisfaz. Deveríamos fazer desaparecer o mais depressa possível este câncer da civilização. Detesto com todas as forças o heroísmo obrigatório, a violência gratuita e o nacionalismo débil. A guerra é a coisa mais desprezível que existe. Preferia deixar-me assassinar a participar desta ignomínia.

O nacionalismo é uma doença infantil. É o sarampo da Humanidade.

O espírito científico, fortemente armado com seu método, não existe sem a religiosidade cósmica.

Minha condição humana me fascina. Conheço o limite de minha existência e ignoro porque estou nesta Terra, mas às vezes o pressinto. Pela experiência cotidiana, concreta e intuitiva, eu me descubro vivo para alguns homens, porque o sorriso e a felicidade deles me condicionam inteiramente, mais ainda para outros que, por acaso, descobri terem emoções iguais às minhas.

Tem um sentido a minha vida? A vida de um homem tem sentido? Posso responder a essas perguntas se tenho um espírito religioso. Mas fazer essas perguntas tem sentido? Respondo assim: aquele que considera sua vida e a dos outros sem qualquer sentido é fundamentalmente infeliz. Não tem motivos para viver.

É a pessoa humana – livre, criadora e sensível que modela o belo e exalta o sublime, ao passo que as massas continuam arrastadas por uma dança infernal de imbecilidade e embrutecimento. [Por isso são facilmente manipuláveis. Basta ver os negócios que são propostos para serem feitos com Deus em todas as religiões eletrônicas. E as pessoas fazem esses negócios. Não com Deus, óbvio (que não negocia com ninguém), mas com quem os propõem.]

É quase um milagre que os métodos modernos de ensino não tenham eliminado a sagrada curiosidade que conduz à pesquisa; o que esta planta delicada necessita mais do que qualquer outra coisa, além do estímulo, é a liberdade.

As palavras ou a língua, escrita ou falada, não creio que desempenhem qualquer papel no mecanismo do meu pensamento. Os entes físicos que parecem servir de elementos ao pensamento são certos signos e certas imagens, mais ou menos claras, que podem ser “voluntariamente” reproduzidas e combinadas. [Por isso Einstein considerava a imaginação mais importante do que o conhecimento.]

 

 

 

O mundo é composto de acontecimentos individuais onde cada um é determinado por quatro números, a saber: três coordenadas de espaço x, y, z e uma coordenada de tempo t. Não estamos habituados a considerar o mundo como um continuum de quatro dimensões, porque na Física pré-relativista o tempo preenchia, em relação às coordenadas do espaço, um papel diferente e mais independente. Graças à Teoria da Relatividade, a concepção do "mundo" em quatro dimensões torna-se perfeitamente natural, porque, nessa teoria, o tempo é privado da sua independência.

Os gênios religiosos de todas as eras distinguiram-se por um tipo de sentimento religioso que não conhece dogma ou Deus concebido à imagem do homem; assim não pode haver igreja cujos ensinamentos centrais sejam baseados nele. Por isso, é precisamente entre os hereges de cada era que encontramos homens imbuídos deste elevado tipo de sentimento religioso, homens como Demócrito, São Francisco de Assis e Spinoza ficam proximamente ligados. Na minha opinião, a função mais importante da arte e da ciência é despertar esse sentimento e mantê-lo vivo naqueles que lhe são receptivos. Ele não vê utilidade para a religião do medo, e o mesmo para a religião social ou moral. É portanto fácil ver porque as igrejas sempre combateram a ciência e perseguiram os seus devotos. Por outro lado, defendo que o sentimento cósmico é o motivo mais forte e mais nobre para a pesquisa científica. Um contemporâneo disse, não injustamente, que nesta era materialista os cientistas sérios são as únicas pessoas profundamente religiosas.

Ao longo deste último século, e parte do anterior, foi vastamente afirmado que havia um conflito irreconciliável entre o conhecimento e a fé. Prevaleceu a opinião entre as mentes avançadas de que era hora de a fé ser substituída cada vez mais pelo conhecimento; a fé que não se baseava em conhecimento era superstição, e como tal devia ser combatida. O ponto fraco desta concepção, contudo, é o de que aquelas convicções necessárias e determinantes para a nossa conduta e os nossos julgamentos não podem ser encontradas senão unicamente nesta trilha científica sólida. Pois o método científico não pode nos ensinar nada mais além de como os fatos se relacionam e são condicionados entre si. A aspiração a tal conhecimento objetivo pertence ao mais alto de que o homem é capaz, e você, certamente, não estará desconfiado de que eu queira minimizar as descobertas e os esforços heróicos do homem nesta esfera. Podemos ter o conhecimento mais claro e completo do que é, sem contudo sermos capazes de deduzir disso qual deveria ser a meta das nossas aspirações humanas. O conhecimento objetivo nos oferece poderosos instrumentos para o alcance de certos fins, mas a própria meta máxima e o desejo de alcançá-la devem vir de outra fonte. Aqui nos deparamos, portanto, com os limites da concepção puramente racional da nossa existência. Se perguntarmos de onde deriva a autoridade de tais fins fundamentais – visto que eles não podem ser afirmados e justificados meramente pela razão – podemos apenas responder: eles existem em uma sociedade saudável na forma de tradições vigorosas, que agem sobre a conduta e as aspirações e os julgamentos dos indivíduos; eles estão lá, ou seja, como algo vivo, sem que seja necessário encontrar uma justificativa para a sua existência. Eles passam a existir, não através da demonstração, mas da revelação, através da mediação de personalidades poderosas. Não devemos tentar justificá-los, mas apenas sentir sua natureza simples e claramente.

É o conteúdo mítico, ou melhor, simbólico das tradições religiosas que pode entrar em conflito com a ciência. Isso ocorre sempre que essa coleção de idéias religiosas contêm afirmações estabelecidas dogmaticamente sobre assuntos que pertencem ao domínio da ciência. Assim, é de vital importância para a preservação da verdadeira religião que esses conflitos sejam evitados quando nascem de assuntos que, de fato, não são realmente essenciais para a busca das metas religiosas.

 

 

 

 

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Nota:

1. Esse neologismo ('despauterizante') foi colocado aí por pura sacanagem, em homenagem à besta cúbica que dava aula de gramática grega e que disse que Einstein não seria jamais álguem. Como o professor-1 ensinava gramática grega, também resolvi inventar e escrever 'álguem' em lugar de alguém – um huperbibasmós 'sakanokratikós'. (Huperbibasmós = hiperbibasmo. Em grego, claro.). 'Sakanokratikós' é outro neologismo que não precisa de qualquer explicação. É auto-evidente.

 

Bibliografia:

BODANIS, David. E = mc2: uma biografia da equação que mudou o mundo e o que ela significa. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004, 327 p.

CAPRA, Fritjof. O tao da Física: um paralelo entre a física moderna e o misticismo oriental. São Paulo: Cultrix, 1983, 260 p.

EINSTEIN, Albert. Como vejo o mundo. Lisboa: ENP, 1962.

FUNDAÇÃO FORD. Energia nuclear: problemas e opções. São Paulo: Cultrix, 1978, 528 p.

RUSSELL, Bertrand. ABC da relatividade. 4ª edição. Rio de Janeiro: Zahar, 1974, 203 p.

SEMAT, Henry. Fisica atomica y nuclear. 4ª edição. Madrid: 1966, 640 p.

 

Páginas Web e Websites Consultados:

 

http://www2b.biglobe.ne.jp/~neohip/KP1.html

http://www.riogrande.com.br/Clipart/clipart2.html

http://www.atomicmuseum.com/tour/dd2.cfm

http://www.ufsm.br/gef/index.html#inicio

http://www2b.biglobe.ne.jp/~neohip/BOMB.gif

http://pt.wikipedia.org/wiki/Albert_Einstein

http://ctjovem.mct.gov.br/index.php?
action=/content/view&cod_objeto=9734

http://www.memorial.rs.gov.br/cadernos/einstein.pdf

http://www.criticanarede.com/cie_einstein.html

http://pt.wikiquote.org/wiki/P%C3%A1gina_principal

http://noticias.aol.com.br/ciencia_e_tecnologia
/fornecedores/afp/2005/01/17/0003.adp

http://www.culturajudaica.org.br/
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http://ponteiro.com.br/vf.php?p4=6060

http://www.wsws.org/pt/2002/oct2002/port-o25.shtml

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http://www.efg2.com/Lab/FractalsAndChaos/GlynnFunction.htm