O (SEGUNDO) APOCALIPSE (REVELAÇÃO) DE TIAGO

 

 

 

Rodolfo Domenico Pizzinga

 

 

Introdução e Objetivo do Estudo

 

A Biblioteca de Nag Hammadi é uma coleção de treze livros antigos (chamados códices) contendo mais de cinqüenta textos, que foi descoberta no Alto Egito, em 1945. Essa descoberta de imensa importância inclui um grande número de Evangelhos Gnósticos primários – textos que antes se acreditava terem sido completamente destruídos durante a luta dos primeiros cristãos para definir a ortodoxia – como o Evangelho de Tomé, o Evangelho de Filipe e o Evangelho da Verdade. A descoberta e a tradução da Biblioteca de Nag Hammadi, inicialmente concluídas na década de 1970, impulsionaram uma grande reavaliação da História do Cristianismo Primitivo e da natureza do Gnosticismo. Uma dessas obras é O (Segundo) Apocalipse (Revelação) de Tiago, um texto Gnóstico-simbólico traduzido por Willis Barnstone, que apresentarei a seguir, em forma de fragmentos selecionados, ocasionalmente comentados e, eventualmente, para facilitar a compreensão, didaticamente editados.

 

 

Fragmentos da Obra

 

 

Eu sou aquele que recebeu a revelação do Pleroma da Imperecibilidade. (Eu sou) aquele que foi primeiro convocado por Aquele-Que-É-Grande, e que obedeceu ao Senhor [...], aquele que se despiu e andou nu, aquele que foi encontrado em um estado perecível, embora estivesse prestes a ser elevado à imperecibilidade.

Aquilo que me foi revelado estava oculto de todos e será (somente) revelado por meio Dele.

Ele será julgado com os injustos. Aquele que viveu sem blasfêmia morreu por meio da blasfêmia.

É pelo conhecimento que sairei da carne. Certamente estou morrendo, mas é na Vida que serei encontrado. Entrei para que pudessem julgar [...] Apresso-me em libertá-los e quero levá-los acima daquele que quer governá-los. Sou o irmão em segredo que orou ao Pai até que Ele [...]

Eu sou o primeiro filho que foi gerado.
Ele destruirá o domínio de todos eles.
Eu sou o amado.
Eu sou o justo.
Eu sou o Filho do Pai.
Falo exatamente como ouvi.
Eu ordeno assim que recebo a ordem.
Eu te mostro exatamente como descobri.

Não tenha medo, meu filho, porque ele lhe chamou de 'meu irmão'.

A multidão, ao ouvir, se torna lenta de entendimento. [Bananeira não dá maçã; dá banana. Macieira não dá banana; dá maçã. Em uma garrafa de 1 litro de capacidade não cabem 2 litros; só cabe 1 litro. Como um cego poderá enxergar? Como um surdo poderá ouvir? Como um ignorante poderá entender? Estas coisas são impossíveis. Por isto Fernando Pessoa citou a frase navigare necesse, vivere non est necesse (navegar é preciso, viver não é preciso), atribuída ao general romano Pompeu (106 – 48 a.C.), que a teria dito a seus marinheiros para ordenar que, apesar da grande tormenta, suas naus deveriam partir em direção a Roma, levando o trigo carregado na Sicília, na Sardenha e na África. Mas, qual é o ensinamento esotérico, oculto nesta sentença? Podemos entendê-la da seguinte forma: despertar é preciso, dormir não é preciso. Isto equivale a: viver não é preciso, é preciso.]

 

Animação Simbólica

 

Quando ouvirdes as palavras que vos falarei, abri os vossos ouvidos, compreendei e andai de acordo com elas!

 

Ouvi, mas, não compreendi.
Não compreendi, e fiquei na mesma.
Fiquei na mesma e na mesma fiquei.
Continuei como sempre fui e vivi.
Vivi como sempre gostei e morri.
Nunca soube quem sou e onde estou.

 

Ele quer nos fazer injustiça e exercerá domínio por um tempo determinado.

 

Injustiça é aprendizado.
Perda é aprendizado.
Dor é aprendizado.
Aflição é aprendizado.
Desespero é aprendizado.

Escravização é aprendizado.

Apócope é aprendizado.
Destruição é aprendizado.
Tudo é útil; tudo é bom.
Por isto, sempre, sempre,
sempre:
Bom Combate, Humildade e Paciência.

 

Animação Simbólica

 

O Dia do Pai é eterno.

Os que desejarem entrar devem Trilhar o Caminho que está diante da Porta... E que abram a Porta. E os que estiverem prontos e merecerem receberão a Recompensa.

 

Animação Simbólica

 

Eles não os pouparam, mas, foram poupados.

 

No Unimultiverso,
não existe milagre.
Existe apenas a Lei.

No Unimultiverso,
não existe privilégio.
Existe apenas Mérito.

No Unimultiverso,
não existe punição.
Existe Aprendizado.

No Unimultiverso,
não existe pódio.
Existe Compreensão.

No Unimultiverso,
não existe estagnação.
Existe

No Unimultiverso,
não existe começo/fim.
Existe o Sempre.

No Unimultiverso,
não existe morte.
Existe apenas Vida.

 

E Ele estava nu, sem nenhuma roupa que o cobrisse. [Nudez, aqui, deve ser entendida como Pureza Absoluta.]

Depois de terem transcendido todo domínio, renunciem ao caminho variável e ilusório, e sigam Aquele que os tornará Homens Livres.

Ele não os julgará por aquilo que fizeram, mas, terá misericórdia de vocês. [Misericórdia é a Chave que abre qualquer porta.]

 

Misericórdia para os famintos!
Misericórdia para os sedentos!
Misericórdia para os doentes!
Misericórdia para os preconceituados!
Misericórdia para os enganados!
Misericórdia para os espoliados!
Misericórdia para os escravizados!
Misericórdia para os torturados!
Misericórdia para os deportados!
Misericórdia para os escorchados!
Misericórdia para os emigrados!
Misericórdia para os refugiados!
Misericórdia para os deslocados!
Misericórdia para os ucranianos!
Misericórdia para os gazenses!
Misericórdia para os iranianos!
Misericórdia para os libaneses!
Misericórdia para todos os que sofrem!

Contemplem aquele que fala e busquem aquele que se cala.

O Verdadeiro Justo não julga.

O Verdadeiro Senhor é um Auxiliador.

Ouçam a Voz da Minha Palavra em seus Corações.

O Amor vive em mim para realizar a Obra da Plenitude!

Porque vivo em Ti e a Tua Graça vive em mim.

A LLuz é Poder.

E estas coisas foram ditas e ensinadas para que todos possam encontrar, em seus Corações, a Paz Interior Profunda e Inverencial. E os que encontrarem a Paz Interior Profunda e Inverencial reinarão e se tornarão Reis[-Filósofos]. E os que se tornarem Reis[-Filósofos] terão Misericórdia de todos. [Assim foi. Assim é. Assim será. Está feito. Está selado. ]

 

 

 

 

 

 

Música de fundo:

Concierto de Aranjuez - Adagio
Compositor: Joaquín Rodrigo Vidre, Marquês dos Jardins de Aranjuez
Interpretação: Royal Philharmonic Orchestra

Fonte:

https://www.youtube.com/watch?v=AFvdz2TouYs

 

Páginas da Internet consultadas:

https://stockcake.com/pt/i/cosmic-cloud-art_1039896_858765

https://br.123rf.com/

https://create.vista.com/pt/vectors/banana/

https://pt.vecteezy.com/

https://www-gnosis-org.translate.goog/naghamm/nhlalpha.html?_
x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc&_x_tr_sch=http

 

Direitos autorais:

As animações, as fotografias digitais e as mídias digitais que reproduzo (por empréstimo) neste texto têm exclusivamente a finalidade de ilustrar e embelezar o trabalho. Neste sentido, os direitos de copyright são exclusivos de seus autores. Entretanto, como nem sempre sei a quem me dirigir para pedir autorização para utilizá-las, se você encontrar algo aqui postado que lhe pertença e desejar que seja removido, por favor, entre em contato e me avise, que retirarei do ar imediatamente.